INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
Um recém-nascido com três semanas de vida é levado à Unidade Básica de Saúde, pois a mãe observou ferida no local da aplicação da BCG. Ao exame físico observa-se lesão pustulocrostosa no braço direito e presença de gânglio satélite em axila direita, não supurado, medindo 1 cm de diâmetro. Considerando o diagnóstico, a conduta adequada a ser tomada para esse recém-nascido é:
Úlcera < 1cm + gânglio axilar < 3cm não supurado após BCG → Conduta expectante.
Reações locais como pústulas e linfadenopatia regional não supurada (até 3cm) são evoluções esperadas da vacina BCG, não exigindo tratamento medicamentoso ou intervenção invasiva.
A vacina BCG (Bacilo Calmette-Guérin) é essencial para a prevenção de formas graves de tuberculose, como a meníngea e a miliar, em crianças. Sua administração intradérmica provoca uma resposta inflamatória granulomatosa local. O conhecimento do curso natural da lesão vacinal é crucial para evitar iatrogenias. O Ministério da Saúde do Brasil define que linfadenopatias regionais não supuradas de até 3 cm são eventos adversos comuns e não requerem notificação ou tratamento. A conduta expectante baseia-se na alta taxa de resolução espontânea dessas adenopatias sem complicações a longo prazo.
A evolução típica da vacina BCG começa com uma pápula no local da aplicação, que progride para uma pústula, seguida de uma úlcera (geralmente de 4 a 10 mm) e, finalmente, uma crosta que deixa a cicatriz característica. Esse processo leva de 6 a 12 semanas. Além da lesão local, é comum e considerado normal o aparecimento de linfadenopatia regional (axilar, supra ou infraclavicular) não supurada, com diâmetro de até 3 cm, sem sinais inflamatórios exuberantes ou febre. Essas manifestações são sinais de resposta imune adequada ao bacilo atenuado e não requerem tratamento.
O tratamento, geralmente com isoniazida (10 mg/kg/dia até regressão), é indicado apenas em casos de linfadenite regional supurada (com flutuação ou drenagem de secreção) ou quando o gânglio apresenta crescimento progressivo ultrapassando 3 cm de diâmetro. Se houver supuração, a conduta é medicamentosa; a punção ou incisão para drenagem deve ser evitada, a menos que haja necessidade diagnóstica ou abscesso frio volumoso. No caso da questão, o gânglio de 1 cm não supurado é uma reação benigna que exige apenas observação clínica.
Não. A úlcera e a pústula da BCG são causadas pelo Mycobacterium bovis atenuado e não por bactérias piogênicas comuns. O uso de pomadas, antissépticos ou antibióticos sistêmicos não acelera a cicatrização e pode interferir na resposta imunológica desejada. A orientação para a mãe deve ser manter o local limpo apenas com água e sabão, sem cobrir a lesão, explicando que a secreção e a ferida fazem parte do processo normal de 'pegar' a vacina.
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