Sepse e Choque Séptico: Urgência no Diagnóstico e Tratamento

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 20 anos, recém casada, voltou da Lua de Mel com disúria, polaciúria, plenitude vesical e urgência miccional. Tratou-se inicialmente com analgésico (fenazopiridina), com melhora parcial. Após alguns dias, evoluiu com calafrios e febre, dores lombares e queda o estado geral, procurando atendimento no PA que solicitou urocultura e deu alta com antipiréticos (dipirona). Poucas horas depois a paciente volta para o PA sonolenta e anúrica. Em relação a este caso, marque a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Cada hora de atraso no diagnóstico e tratamento da SEPSE pode aumentar significativamente a mortalidade, por isso o diagnóstico precoce e a introdução na 1ª hora de antibioticoterapia empírica é essencial para uma evolução favorável.
  2. B) O diagnóstico de ITU é comum no nosso meio e precisa de exames complementares, como sumário de urina e urocultura para fechar diagnóstico.
  3. C) A paciente evoluiu para choque séptico, necessitando associar drogas vasoativas e internação em UTI
  4. D) Expansão volêmica, coleta de culturas, mensuração do lactato sérico e início da antibioticoterapia são metas das primeiras 6h da SEPSE.

Pérola Clínica

Sepse: diagnóstico precoce + ATB empírico na 1ª hora = ↑ sobrevida.

Resumo-Chave

A sepse é uma emergência médica tempo-dependente. O atraso no reconhecimento e na instituição do tratamento adequado, especialmente a antibioticoterapia empírica de amplo espectro na primeira hora, está associado a um aumento significativo da mortalidade. A paciente do caso evoluiu de uma ITU para um quadro grave de sepse/choque séptico.

Contexto Educacional

A sepse é uma síndrome complexa e potencialmente fatal, definida como disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. É uma das principais causas de mortalidade em unidades de terapia intensiva e um desafio diagnóstico e terapêutico em serviços de emergência. A epidemiologia mostra que a sepse é uma condição comum, com alta incidência e custos significativos para os sistemas de saúde. A fisiopatologia da sepse envolve uma resposta inflamatória e anti-inflamatória desregulada, levando a danos teciduais e disfunção orgânica. A disfunção endotelial, microtrombose e hipoperfusão tecidual são eventos chave. O diagnóstico precoce é crucial e baseia-se na suspeita clínica de infecção associada a sinais de disfunção orgânica (avaliada pelo escore SOFA). A paciente do caso, com ITU que evoluiu para calafrios, febre, dores lombares e queda do estado geral, e posteriormente sonolência e anúria, apresenta um quadro clássico de progressão para sepse e choque séptico. O tratamento da sepse é uma corrida contra o tempo. As diretrizes da Surviving Sepsis Campaign enfatizam a importância de um "pacote de medidas da primeira hora", que inclui a coleta de culturas, início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, reposição volêmica com cristaloides e, se necessário, uso de vasopressores para manter a pressão arterial. Cada hora de atraso na administração de antibióticos está associada a um aumento significativo da mortalidade. O prognóstico depende diretamente da rapidez e adequação do manejo inicial, visando restaurar a perfusão tecidual e controlar a infecção.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios atuais para o diagnóstico de sepse e choque séptico?

Sepse é definida como disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção (SOFA ≥ 2). Choque séptico é um subconjunto da sepse com disfunção circulatória e metabólica profunda, caracterizado por hipotensão persistente apesar da reposição volêmica e lactato sérico > 2 mmol/L.

Quais são as metas da "primeira hora" no manejo da sepse, segundo a Surviving Sepsis Campaign?

As metas incluem: medir lactato sérico, coletar culturas antes dos antibióticos, administrar antibióticos de amplo espectro, iniciar cristaloides IV para hipotensão ou lactato > 2 mmol/L, e iniciar vasopressores se hipotensão persistir após fluidos.

Como a pielonefrite pode evoluir para sepse e choque séptico?

A pielonefrite é uma infecção do parênquima renal que, se não tratada adequadamente, pode levar à bacteremia e à disseminação sistêmica da infecção. A resposta inflamatória desregulada do hospedeiro aos patógenos e suas toxinas pode então desencadear a sepse e, em casos graves, o choque séptico com falência de múltiplos órgãos.

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