Malária Vivax: Tratamento de Recaída e Esquemas Terapêuticos

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022

Enunciado

HJS, 4 anos mora na área urbana de Manaus. Há 55 dias foi tomar banho de igarapé em área sabidamente endêmica para malária. Depois de 12 dias iniciou febre, cefaleia intensa e dores no corpo. Foi diagnosticado com malária vivax e recebeu tratamento adequadamente administrado com primaquina e cloroquina por 7 dias, de acordo com o Guia de Tratamento de Malária do Ministério da Saúde. Há 2 dias voltou a ter febre e cefaleia intensa. A família nega ter ido novamente à área de risco para malária. Entretanto, no exame de gota espessa, veio positivo 2+. O pediatra de plantão refere que provavelmente trata-se de recaída e que agora o tratamento deve ser diferente do primeiro episódio. O paciente não tem deficiência de G6PD. Qual esquema terapêutico deve ser prescrito de acordo com o Guia de Tratamento de Malária do Ministério da Saúde?

Alternativas

  1. A) Cloroquina semanal por 6 semanas.
  2. B) Artemeter + lumefantrina por 3 dias e primaquina por 14 dias.
  3. C) Clindamicina + Cloroquina por 7 dias.
  4. D) Artesunato + mefloquina por 10 dias.

Pérola Clínica

Recaída malária vivax → Artemeter + Lumefantrina (3 dias) + Primaquina (14 dias), exceto G6PD deficiência.

Resumo-Chave

Em casos de recaída de malária por Plasmodium vivax, o tratamento deve ser reavaliado. O esquema recomendado pelo Ministério da Saúde para recaídas, especialmente em áreas de maior resistência ou falha terapêutica, inclui um esquema com artemisinina combinada (como artemeter + lumefantrina) para a fase sanguínea, associado à primaquina por 14 dias para erradicar as formas hepáticas (hipnozoítos) e prevenir novas recaídas.

Contexto Educacional

A malária por Plasmodium vivax é caracterizada pela capacidade de formar hipnozoítos no fígado, que podem permanecer dormentes e reativar-se semanas ou meses após o tratamento inicial, causando recaídas. O caso apresentado descreve uma recaída, pois a criança já havia sido tratada adequadamente e não retornou à área de risco. O tratamento da malária vivax envolve a erradicação das formas sanguíneas e dos hipnozoítos hepáticos. Para a fase sanguínea, a cloroquina é a primeira escolha, mas em casos de recaída ou falha terapêutica, esquemas com artemisinina combinada, como artemeter + lumefantrina, são indicados. Para a erradicação dos hipnozoítos, a primaquina é o medicamento de escolha, administrada por 7 ou 14 dias, dependendo da situação e da idade do paciente, sempre após a exclusão de deficiência de G6PD. Em situações de recaída, o Guia de Tratamento da Malária do Ministério da Saúde preconiza um esquema mais robusto. Para crianças sem deficiência de G6PD, o tratamento para recaída de malária vivax geralmente envolve a combinação de um esquizonticida sanguíneo de ação rápida (como artemeter + lumefantrina por 3 dias) e a primaquina por 14 dias para garantir a erradicação dos hipnozoítos e prevenir novas recorrências. Este conhecimento é vital para residentes que atuam em áreas endêmicas.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre recaída e recrudescência na malária?

Recaída é a recorrência da malária por Plasmodium vivax ou ovale devido à reativação de hipnozoítos hepáticos. Recrudescência é a recorrência por Plasmodium falciparum devido à persistência de parasitas sanguíneos após tratamento inadequado.

Por que a primaquina é essencial no tratamento da malária vivax?

A primaquina é um esquizonticida tecidual que atua contra os hipnozoítos hepáticos do Plasmodium vivax, prevenindo as recaídas. Sua administração requer a exclusão de deficiência de G6PD.

Qual o esquema terapêutico recomendado para recaída de malária vivax em crianças sem deficiência de G6PD?

O esquema recomendado inclui artemeter + lumefantrina por 3 dias para a fase sanguínea, associado à primaquina por 14 dias para erradicar os hipnozoítos hepáticos.

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