HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2015
Homem, 23 anos, vítima de acidente de motocicleta, chega ao pronto-socorro de um hospital com todos os recursos para o atendimento, com colar cervical e prancha longa. Está com intubação orotraqueal sob ventilação mecânica. Pulmões com murmúrio vesicular abolido à direita e timpanismo à percussão. PA = 130/70 mmHg; FC = 90 bpm. Boa perfusão periférica. Apresenta sinais clínicos de fratura de bacia. Recebe avaliação e tratamento iniciais adequados e efetivos e então o médico assistente indica tomografia de crânio, tórax e abdome. Qual dos procedimentos abaixo deverá ser realizado na sala de emergência após o paciente retornar da tomografia?
Paciente traumatizado grave pós-exames → reavaliação primária é crucial para identificar deterioração ou lesões não detectadas.
Após a realização de exames complementares como a tomografia, o paciente traumatizado pode ter seu estado clínico alterado. A reavaliação primária é fundamental para identificar novas lesões, piora de lesões existentes ou complicações que surgiram durante o transporte ou realização dos exames, garantindo a continuidade do tratamento adequado.
O atendimento inicial ao traumatizado, guiado por protocolos como o ATLS (Advanced Trauma Life Support), enfatiza a avaliação primária (ABCDE) para identificar e tratar lesões com risco de vida imediato. A estabilização inicial é seguida pela avaliação secundária e exames complementares. No entanto, o processo de atendimento não termina com a realização dos exames. A reavaliação contínua é um pilar fundamental no manejo do trauma. Após o paciente ser submetido a exames como a tomografia, que o retiram do ambiente de monitorização intensiva da sala de emergência, é imperativo que, ao retornar, uma nova avaliação primária seja realizada. Isso permite identificar qualquer deterioração clínica, o surgimento de novas lesões ou a progressão de condições inicialmente estáveis, garantindo que nenhuma ameaça à vida seja negligenciada. A questão destaca um paciente com sinais de trauma torácico grave (murmúrio abolido e timpanismo à percussão, sugestivo de pneumotórax hipertensivo) e fratura de bacia, ambos com potencial de instabilidade hemodinâmica. Embora a drenagem torácica seja uma intervenção urgente para o pneumotórax hipertensivo, a questão foca no procedimento APÓS o retorno da TC, reforçando a importância da reavaliação sistemática como a primeira ação para reconfirmar o estado do paciente antes de prosseguir com intervenções específicas.
A avaliação primária segue o mnemônico ABCDE: A (Via aérea com proteção da coluna cervical), B (Respiração e ventilação), C (Circulação com controle de hemorragias), D (Déficit neurológico) e E (Exposição e controle da hipotermia).
A reavaliação é vital porque o estado do paciente pode se deteriorar rapidamente, novas lesões podem se manifestar, ou complicações (como pneumotórax hipertensivo) podem surgir durante o período fora da sala de emergência ou devido à manipulação para os exames.
Sinais como piora da dispneia, hipotensão, taquicardia persistente, diminuição do nível de consciência, assimetria de murmúrio vesicular ou distensão abdominal progressiva indicam a necessidade de intervenção imediata.
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