UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2023
Um homem, de 22 anos, está hipotenso e taquicárdico após ser vítima de um ferimento por arma de fogo em seu ombro E. Sua PA inicialmente é de 80/40 mmHg. Após uma ressuscitação com fluidos inicial, sua PA subiu para 122/84 mmHg. Sua FC agora é de 100 bpm e a FR de 28 rpm. Foi realizado drenagem torácica à Esq devido diminuição dos murmúrios vesiculares neste hemitórax, com retorno de pequena quantidade de sangue no sistema. Após a inserção do dreno de tórax, o passo seguinte mais apropriado é:
Após qualquer intervenção em trauma, a reavaliação completa do paciente é a prioridade para identificar novas lesões.
No manejo do trauma, especialmente após uma intervenção como a drenagem torácica, a reavaliação imediata do paciente é crucial para verificar a eficácia do procedimento e identificar outras lesões que possam ter sido mascaradas ou surgido.
O manejo inicial do paciente traumatizado segue os princípios do Advanced Trauma Life Support (ATLS), que enfatiza uma abordagem sistemática e priorização da estabilização das vias aéreas, respiração e circulação. Em casos de ferimento por arma de fogo no ombro, a possibilidade de trauma torácico é alta, podendo resultar em pneumotórax, hemotórax ou ambos, como sugerido pela diminuição dos murmúrios vesiculares e retorno de sangue no dreno. A drenagem torácica é uma intervenção vital para tratar o pneumotórax e o hemotórax, restaurando a função pulmonar e aliviando a compressão. No entanto, a realização de qualquer procedimento invasivo em um paciente traumatizado exige uma reavaliação imediata e contínua. Esta reavaliação não se limita apenas ao local da intervenção, mas abrange todo o paciente, verificando a resposta hemodinâmica, respiratória e neurológica. O passo seguinte mais apropriado após a inserção do dreno de tórax é reavaliar o tórax e o paciente como um todo. Isso inclui ausculta pulmonar, palpação, inspeção do dreno (débito, oscilação, borbulhamento), e reavaliação dos sinais vitais. Somente após confirmar a eficácia da drenagem e a estabilização inicial, e descartar outras lesões que possam ter sido negligenciadas ou surgido, é que exames complementares mais avançados, como a tomografia computadorizada ou aortografia, devem ser considerados para um diagnóstico mais detalhado e planejamento terapêutico definitivo.
A drenagem torácica tem como objetivo remover ar (pneumotórax) ou sangue (hemotórax) da cavidade pleural, restaurando a pressão intratorácica negativa e permitindo a reexpansão pulmonar, melhorando a ventilação e oxigenação.
Um hemotórax maciço é caracterizado pela perda de mais de 1500 mL de sangue na drenagem inicial ou mais de 200 mL/hora por 2-4 horas, associado a sinais de choque hipovolêmico, como hipotensão e taquicardia, e diminuição dos murmúrios vesiculares.
A toracotomia de emergência é indicada em casos de hemotórax maciço, lesão traqueobrônquica, lesão esofágica, lesão cardíaca ou grandes vasos, ou quando há persistência de sangramento significativo após a drenagem torácica.
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