Reativação HBV: Profilaxia em Imunossuprimidos com Rituximabe

FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2020

Enunciado

Um paciente de 40 anos recebe o diagnóstico de linfoma, com indicação de tratamento com rituximabe. Seus exames mostraram o seguinte perfil sorológico: HBsAg (-), anti-HBc total (+), anti-HCV(-) . Em relação à profilaxia de reativação do vírus B, a melhor conduta é:

Alternativas

  1. A) Deve-se solicitar a carga viral. Caso venha maior que 2.000UI/mL, a profilaxia está indicada.
  2. B) A sorologia indica contato prévio com o vírus da hepatite B com cura espontânea. A profilaxia não está indicada.
  3. C) Trata-se de uma situação de risco moderado de reativação. Deve-se dosar carga viral e transaminases a cada 2 meses e, se apresentar alteração, a profilaxia está indicada.
  4. D) A profilaxia está indicada, e a primeira opção é o entecavir.
  5. E) Se apresentar transaminases alteradas, a profilaxia está indicada.

Pérola Clínica

Rituximabe + HBsAg(-) anti-HBc(+) → Alto risco reativação HBV. Profilaxia indicada com entecavir/tenofovir.

Resumo-Chave

Pacientes com linfoma em uso de rituximabe e perfil sorológico de hepatite B resolvido (HBsAg negativo, anti-HBc total positivo) apresentam alto risco de reativação do vírus B. Nesses casos, a profilaxia antiviral com entecavir ou tenofovir é mandatória para prevenir complicações graves.

Contexto Educacional

A reativação do vírus da hepatite B (HBV) é uma complicação grave em pacientes imunossuprimidos, especialmente aqueles com infecção prévia resolvida (HBsAg negativo, anti-HBc total positivo) que recebem terapias como o rituximabe. O rituximabe, um anticorpo monoclonal anti-CD20, causa uma profunda e prolongada depleção de linfócitos B, comprometendo a resposta imune contra o HBV e elevando drasticamente o risco de reativação viral. A profilaxia antiviral é mandatória nesses casos para prevenir hepatite fulminante, insuficiência hepática e óbito. A conduta padrão envolve o uso de análogos de nucleosídeos/nucleotídeos, como entecavir ou tenofovir, que são altamente eficazes na supressão da replicação viral. A profilaxia deve ser iniciada antes ou concomitantemente ao início da terapia imunossupressora e mantida por um período prolongado após o término, geralmente 6 a 12 meses, dependendo do regime. É crucial que residentes e profissionais de saúde estejam cientes da importância do rastreamento sorológico para HBV antes de iniciar qualquer terapia imunossupressora e da indicação precisa da profilaxia. A falha em reconhecer o risco e instituir a profilaxia adequada pode levar a desfechos clínicos devastadores para o paciente.

Perguntas Frequentes

O que significa o perfil sorológico HBsAg (-), anti-HBc total (+)?

Esse perfil indica contato prévio com o vírus da hepatite B (HBV) e infecção resolvida, mas o DNA viral pode persistir em níveis baixos (infecção oculta), com risco de reativação sob imunossupressão.

Por que o rituximabe aumenta o risco de reativação do HBV?

O rituximabe é um anticorpo monoclonal anti-CD20 que causa depleção de linfócitos B, essenciais para o controle imunológico do HBV, aumentando significativamente o risco de reativação viral.

Qual a conduta para profilaxia de reativação do HBV em pacientes com linfoma e rituximabe?

A profilaxia antiviral é indicada para todos os pacientes com HBsAg (-) e anti-HBc total (+) que receberão rituximabe, sendo entecavir ou tenofovir as opções de primeira linha, iniciadas antes ou junto com a quimioterapia.

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