Coinfecção HBV/HCV: Prevenindo Reativação com TARV

HSLRP - Hospital São Luiz Rede D'Or Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Em pacientes com HBsAg, antes do início dos antivirais de ação direta DAA, é importante dar preferência para a terapia antirretroviral (TARV) que:

Alternativas

  1. A) não contenha medicação ativa contra o vírus da hepatite B (lamivudina e tenofovir), a fim de evitar a reativação da hepatite B devido ao tratamento da hepatite C.
  2. B) contenha medicação ativa contra o vírus da hepatite B (lamivudina e tenofovir), a fim de evitar a reativação da hepatite B devido ao tratamento da hepatite C.
  3. C) contenha medicação ativa contra o vírus da hepatite B (lamivudina e tenofovir), a fim de promover a reativação da hepatite B devida ao tratamento da hepatite C.
  4. D) contenha medicação ativa contra o vírus da hepatite B (lamivudina e tenofovir), a fim de evitar a inativação da hepatite B devida ao tratamento da hepatite C.

Pérola Clínica

Coinfecção HBV/HCV + DAA → TARV deve incluir agentes ativos contra HBV (lamivudina/tenofovir) para prevenir reativação.

Resumo-Chave

Em pacientes com coinfecção HIV e HBV (HBsAg positivo) que iniciarão tratamento para HCV com antivirais de ação direta (DAA), é fundamental que a terapia antirretroviral (TARV) inclua medicamentos ativos contra o HBV, como lamivudina ou tenofovir. Isso previne a reativação do HBV, um risco conhecido durante e após o tratamento da hepatite C com DAAs, devido à supressão imunológica transitória ou à alteração do equilíbrio viral.

Contexto Educacional

A coinfecção por HIV, HBV e HCV é um desafio clínico complexo, com interações virais e terapêuticas significativas. A introdução dos antivirais de ação direta (DAAs) revolucionou o tratamento da hepatite C, mas trouxe à tona a preocupação com a reativação da hepatite B em pacientes HBsAg positivos, especialmente aqueles coinfectados com HIV. A reativação do HBV pode levar a quadros graves de hepatite, incluindo insuficiência hepática. A fisiopatologia da reativação do HBV em pacientes tratados para HCV com DAAs não é totalmente compreendida, mas acredita-se que envolva uma alteração no equilíbrio imunológico e viral. A eliminação do HCV pode levar a uma desrepressão da replicação do HBV ou a uma resposta imune exacerbada contra o HBV. Por isso, as diretrizes atuais recomendam fortemente que pacientes HBsAg positivos que serão tratados com DAAs recebam profilaxia antiviral contra o HBV. A conduta mais adequada é garantir que a terapia antirretroviral (TARV) de pacientes coinfectados HIV/HBV/HCV inclua medicamentos com atividade contra o HBV, como lamivudina ou tenofovir, antes e durante o tratamento com DAAs para HCV. Isso assegura a supressão contínua do HBV, minimizando o risco de reativação e suas complicações. O monitoramento rigoroso das enzimas hepáticas e da carga viral do HBV é essencial durante e após o tratamento.

Perguntas Frequentes

Por que a hepatite B pode reativar durante o tratamento da hepatite C com DAAs?

A reativação da hepatite B durante ou após o tratamento da hepatite C com DAAs é um risco conhecido. Isso pode ocorrer devido a alterações no equilíbrio imunológico e viral, onde a eliminação do HCV pode levar a uma resposta imune desregulada contra o HBV, ou a uma replicação viral aumentada do HBV sem a competição do HCV.

Quais medicamentos da TARV são ativos contra o vírus da hepatite B?

Os medicamentos da terapia antirretroviral (TARV) que possuem atividade contra o vírus da hepatite B (HBV) incluem a lamivudina (3TC) e o tenofovir (TDF ou TAF). A inclusão de um desses agentes é crucial para manter a supressão do HBV em pacientes coinfectados.

Qual a conduta para pacientes HBsAg positivos antes de iniciar DAAs para HCV?

Antes de iniciar antivirais de ação direta (DAAs) para hepatite C em pacientes HBsAg positivos, é fundamental avaliar o status do HBV. Se o paciente já estiver em TARV, esta deve conter um agente ativo contra o HBV. Se não estiver em TARV ou se a TARV não contiver um agente anti-HBV, deve-se iniciar ou ajustar a TARV para incluir lamivudina ou tenofovir para prevenir a reativação do HBV.

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