PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2023
Qual é o fluído de escolha para a reanimação de um paciente envolvido em trauma?
Reanimação em trauma com hemorragia grave → Sangue (hemoderivados) é o fluido de escolha.
Em pacientes traumatizados com hemorragia significativa e sinais de choque, a reanimação com hemoderivados (sangue total ou componentes como concentrado de hemácias, plasma e plaquetas) é a estratégia de escolha. Cristaloides devem ser usados com cautela para evitar hemodiluição e coagulopatia.
A reanimação de pacientes vítimas de trauma grave, especialmente aqueles com choque hemorrágico, é um dos pilares do atendimento de emergência e um tópico crucial para residentes. A escolha do fluido de reanimação tem um impacto direto na morbidade e mortalidade. Historicamente, grandes volumes de cristaloides eram a primeira linha, mas a compreensão atual da fisiopatologia do choque hemorrágico e da coagulopatia induzida pelo trauma mudou essa abordagem. Atualmente, as diretrizes de trauma, como o ATLS (Advanced Trauma Life Support), preconizam que, em pacientes com hemorragia significativa e sinais de choque, a reanimação com hemoderivados (sangue total ou componentes como concentrado de hemácias, plasma fresco congelado e plaquetas) deve ser a prioridade. Essa estratégia visa repor não apenas o volume, mas também a capacidade de transporte de oxigênio e os fatores de coagulação que são perdidos. O uso excessivo de cristaloides, embora possa restaurar temporariamente o volume intravascular, leva à hemodiluição, diluição dos fatores de coagulação, hipotermia e acidose metabólica, um quarteto letal conhecido como "coagulopatia induzida pelo trauma". Portanto, a abordagem moderna enfatiza o controle rápido da hemorragia e a transfusão precoce e balanceada de hemoderivados, minimizando o uso de cristaloides para evitar essas complicações e melhorar o prognóstico do paciente traumatizado.
A conduta inicial na reanimação volêmica de um paciente traumatizado com choque hemorrágico é a administração de hemoderivados, preferencialmente sangue total ou concentrado de hemácias, plasma e plaquetas em proporções balanceadas.
O sangue é preferível porque repõe diretamente a capacidade de transporte de oxigênio e os fatores de coagulação perdidos na hemorragia, enquanto grandes volumes de cristaloides podem causar hemodiluição, coagulopatia e piorar a acidose e hipotermia.
Cristaloides como Ringer Lactato ou soro fisiológico podem ser usados inicialmente em pequenos volumes enquanto se aguarda a disponibilidade de hemoderivados, ou em casos de trauma sem hemorragia significativa, mas seu uso excessivo deve ser evitado no choque hemorrágico.
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