CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2022
Mulher de 28 anos de idade, secundigesta, deu à luz um recém-nascido (RN) de 40 semanas de idade gestacional, de parto vaginal, com bolsa rota no ato e saída de líquido meconial fluído. O RN chorou ao nascer, apresenta tônus adequado, respiração rítmica e regular, com frequência cardíaca de 115 batimentos por minuto. Nesse contexto, assinale a alternativa que contém o atendimento CORRETO para esse RN na sala de parto:
RN com líquido meconial fluído, ativo e vigoroso → seguir rotina de sala de parto, sem aspiração traqueal de rotina.
Em recém-nascidos com líquido meconial, mas que nascem vigorosos (choram, bom tônus, respiração regular, FC > 100 bpm), a conduta é a rotina de sala de parto, sem necessidade de aspiração traqueal ou de vias aéreas superiores profunda, pois o risco de SAM é baixo e a aspiração pode causar bradicardia.
A presença de líquido meconial no parto é uma preocupação comum, pois pode estar associada à Síndrome de Aspiração Meconial (SAM), uma condição respiratória grave. No entanto, as diretrizes de reanimação neonatal evoluíram significativamente, e a conduta atual enfatiza a avaliação da vitalidade do recém-nascido ao nascer, em vez da presença isolada do mecônio. Se o recém-nascido nasce vigoroso – ou seja, chora ou respira efetivamente, tem bom tônus muscular e frequência cardíaca acima de 100 batimentos por minuto – a presença de líquido meconial, mesmo que fluído, não exige aspiração traqueal ou de vias aéreas superiores profunda. Nesses casos, o atendimento deve seguir a rotina de sala de parto: fornecer calor, posicionar a cabeça, aspirar delicadamente o excesso de secreções da boca e nariz se necessário, e secar o bebê. A aspiração traqueal sob visualização direta é reservada apenas para recém-nascidos não vigorosos com líquido meconial, pois nesses casos o risco de aspiração pulmonar é maior. A aspiração desnecessária em bebês vigorosos pode causar bradicardia, laringoespasmo e atrasar o início de outras intervenções importantes. É crucial que residentes e profissionais de saúde estejam atualizados com essas diretrizes para garantir o melhor cuidado ao recém-nascido.
A aspiração traqueal sob visualização direta (laringoscopia) é indicada apenas se o recém-nascido não for vigoroso ao nascer (apneia ou respiração irregular, tônus muscular flácido, frequência cardíaca < 100 bpm), independentemente da consistência do mecônio.
Um recém-nascido é considerado vigoroso se apresentar choro ou respiração efetiva, bom tônus muscular e frequência cardíaca acima de 100 batimentos por minuto. Nesses casos, a presença de mecônio não altera a rotina de cuidados imediatos.
A aspiração de vias aéreas superiores (boca e nariz) de rotina em RNs vigorosos com mecônio não demonstrou benefício e pode causar bradicardia reflexa, laringoespasmo e atrasar o início de outras medidas de reanimação, se necessárias. A aspiração deve ser feita apenas para remover excesso de secreções visíveis.
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