CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026
Durante o atendimento em sala de parto, nasce um recém-nascido de 37 semanas e 4 dias, após trabalho de parto complicado por prolapso de cordão umbilical. O bebê chega ao berço aquecido em apneia, e os passos iniciais da reanimação são realizados. Após 30 segundos, o recémnascido permanece em apneia, com frequência cardíaca de 80 bpm. Foi iniciada ventilação com balão e máscara, e o oxímetro de pulso pré-ductal foi colocado, mas ainda sem leitura disponível. Considerando as diretrizes de reanimação neonatal atualizadas (AHA/AAP 2025), qual deve ser a próxima conduta imediata?
FC < 100 bpm após passos iniciais → VPP. Se FC não sobe → Checar técnica (MR SOPA) antes de avançar.
A ventilação é a medida mais importante na reanimação neonatal. Antes de considerar massagem cardíaca ou intubação imediata por falha técnica, deve-se garantir que a VPP está sendo executada corretamente.
A reanimação neonatal foca primordialmente na transição respiratória. O prolapso de cordão é uma emergência obstétrica que causa hipóxia aguda, frequentemente resultando em depressão respiratória ao nascer. O algoritmo universal prioriza a ventilação com pressão positiva (VPP) nos primeiros 60 segundos ('Golden Minute'). Se a FC não sobe acima de 100 bpm, a causa mais provável é ventilação inadequada. Portanto, a verificação da técnica (ajuste de máscara, posição da cabeça, pressão) é o passo subsequente obrigatório antes de intervenções mais invasivas. As diretrizes de 2025 reforçam a importância de uma via aérea pérvia e técnica de ventilação meticulosa.
Os passos corretivos, conhecidos pelo mnemônico MR SOPA, devem ser aplicados quando a VPP não resulta em melhora da frequência cardíaca ou expansão torácica. M: Máscara (ajustar selo); R: Reposicionar via aérea (coxim e leve extensão); S: Sucção (limpar secreções); O: Open mouth (abrir a boca); P: Pressure (aumentar a pressão de ventilação); A: Alternative airway (considerar cânula traqueal ou máscara laríngea). Cada passo deve ser avaliado sequencialmente para garantir que o pulmão está sendo efetivamente ventilado.
De acordo com as diretrizes da AHA/AAP, a massagem cardíaca só deve ser iniciada se a frequência cardíaca permanecer abaixo de 60 bpm após pelo menos 30 segundos de ventilação com pressão positiva (VPP) efetiva, preferencialmente através de uma via aérea avançada (intubação traqueal). No caso da questão, com FC de 80 bpm, a massagem não está indicada; o foco deve ser a otimização da ventilação, que é a causa mais comum de falha na recuperação da FC.
A oximetria pré-ductal (colocada no membro superior direito) é essencial para monitorar a saturação de oxigênio (SpO2) e guiar a oferta de oxigênio suplementar, evitando hiperóxia ou hipóxia profunda. No entanto, o sensor pode demorar alguns minutos para fornecer uma leitura confiável em bebês com baixa perfusão. A conduta clínica imediata, como garantir a ventilação, não deve ser atrasada enquanto se aguarda o sinal do oxímetro, especialmente em casos de apneia e bradicardia.
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