Reanimação Neonatal: Interrupção da VPP e Oximetria

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020

Enunciado

Você é chamado para o atendimento de um parto expulsivo, em uma gestante com 37 semanas de gestação, sem intercorrências identificadas no período pré-natal. Recebe o bebê do obstetra e observa que a criança não está chorando nem respirando. Você conduz ao berço de reanimação, realiza os passos iniciais de secagem, aspiração e posicionamento adequado da criança e verifica que a frequência cardíaca em 6 segundos é de 12 batimentos, e a criança ainda não respira. Opta por iniciar a ventilação com pressão positiva, com ar ambiente, monitorizando a criança com oximetria e monitor cardíaco. Após cerca de 30 segundos de ventilação com balão e máscara, a criança já respira espontaneamente, a frequência cardíaca é de 120 batimentos por minuto (no monitor) e a oximetria de 80%.A melhor conduta nesse momento é:

Alternativas

  1. A) interromper a ventilação com pressão positiva, mantendo reavaliações da frequência cardíaca e da respiração, enquanto realiza os procedimentos de rotina na sala de parto.
  2. B) oferecer oxigênio com máscara sem pressão positiva para manter saturação de oxigênio maior que 90%.
  3. C) verificar a técnica da ventilação com pressão positiva, mantendo-a sem a suplementação de oxigênio.
  4. D) verificar a técnica da ventilação com pressão positiva, mantendo-a com suplementação de oxigênio de, no máximo, 40%.

Pérola Clínica

RN com VPP, FC > 100 bpm e respiração espontânea → interromper VPP, monitorar.

Resumo-Chave

Após VPP, se o recém-nascido atinge frequência cardíaca acima de 100 bpm e estabelece respiração espontânea, a ventilação deve ser interrompida. A oximetria de 80% é aceitável para a idade gestacional e tempo de vida, não indicando necessidade imediata de oxigênio suplementar neste momento, priorizando a estabilização respiratória e cardíaca.

Contexto Educacional

A reanimação neonatal é um conjunto de procedimentos essenciais para auxiliar recém-nascidos que não estabelecem respiração espontânea e circulação adequada ao nascimento. A rápida avaliação e intervenção são cruciais para prevenir sequelas neurológicas e reduzir a mortalidade infantil. A compreensão dos algoritmos e critérios de cada etapa é fundamental para o residente. A ventilação com pressão positiva (VPP) é a intervenção mais importante na reanimação neonatal para bebês que não respiram ou têm respiração ineficaz e/ou frequência cardíaca abaixo de 100 bpm. O uso de ar ambiente é preferencial inicialmente, com suplementação de oxigênio guiada pela oximetria e resposta clínica, evitando hiperoxia. A interrupção da VPP ocorre quando o RN recupera respiração espontânea e a frequência cardíaca ultrapassa 100 bpm. A oximetria deve ser monitorada, mas valores abaixo de 90% nos primeiros minutos de vida são fisiológicos e não indicam necessariamente a manutenção da VPP ou oxigênio suplementar se os outros parâmetros estiverem adequados.

Perguntas Frequentes

Quando interromper a ventilação com pressão positiva em RN?

A VPP deve ser interrompida quando o recém-nascido apresenta frequência cardíaca acima de 100 bpm e respiração espontânea eficaz, mesmo que a saturação ainda não tenha atingido os valores de adultos.

Qual a saturação de oxigênio esperada em RN após 30 segundos de vida?

A saturação de oxigênio esperada em um recém-nascido após 1 minuto de vida varia entre 60-65% e aumenta gradualmente, atingindo 80-85% em 5 minutos e 85-95% em 10 minutos. 80% após 30s é aceitável.

Quais os passos iniciais da reanimação neonatal?

Os passos iniciais incluem prover calor, posicionar a cabeça e o pescoço, aspirar vias aéreas se necessário, secar e estimular o bebê. A reavaliação da respiração e frequência cardíaca guia as próximas condutas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo