Reanimação Neonatal: Conduta na Apneia e Bradicardia

INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Verificou-se que um recém-nascido a termo se encontrava hipotônico e em apneia. Imediatamente, o recém-nascido foi levado à unidade de calor radiante, onde foi feita secagem, assim como aspiração de vias aéreas e posicionamento correta da cabeça. Após 30 segundos, o recém-nascido se manteve em apneia e com uma frequência cardíaca (FC) de 45bpm. A conduta subsequente é:

Alternativas

  1. A) Massagem cardíaca pela técnica dos dois polegares, já que a FC está abaixo de 60bpm;
  2. B) Cateterismo umbilical para administração de adrenalina;
  3. C) Ventilação com pressão positiva através de balão autoinflável com FiO2 de 100%;
  4. D) Ventilação com máscara facial e balão em ar ambiente;
  5. E) Intubação orotraqueal.

Pérola Clínica

RN com apneia e FC < 100 bpm após medidas iniciais → VPP com ar ambiente.

Resumo-Chave

Após as medidas iniciais de reanimação (secagem, aspiração, posicionamento), se o recém-nascido persistir em apneia e com frequência cardíaca abaixo de 100 bpm, a próxima conduta é iniciar a ventilação com pressão positiva (VPP). A VPP inicial deve ser feita com ar ambiente, e não com FiO2 de 100%, para evitar hiperoxia desnecessária, a menos que haja indicação específica.

Contexto Educacional

A reanimação neonatal é uma sequência de ações críticas para auxiliar recém-nascidos que não iniciam a respiração espontaneamente ou apresentam comprometimento cardiorrespiratório ao nascer. Estima-se que cerca de 10% dos recém-nascidos necessitem de alguma forma de assistência para iniciar a respiração, e aproximadamente 1% necessitará de medidas mais avançadas. O conhecimento e a aplicação correta do protocolo são fundamentais para reduzir a morbimortalidade neonatal. O protocolo de reanimação neonatal segue uma abordagem sistemática, começando com os passos iniciais de estabilização (aquecimento, posicionamento da cabeça, aspiração de vias aéreas se necessário, secagem e estímulo tátil). Se após essas medidas o recém-nascido permanecer apneico, com respiração irregular ou gasping, ou com frequência cardíaca abaixo de 100 bpm, a ventilação com pressão positiva (VPP) deve ser iniciada. A VPP é a medida mais importante e eficaz na reanimação neonatal, devendo ser realizada com balão e máscara, utilizando ar ambiente inicialmente para recém-nascidos a termo. A conduta subsequente depende da resposta do recém-nascido. Se a frequência cardíaca permanecer abaixo de 60 bpm após 30 segundos de VPP eficaz, a massagem cardíaca deve ser iniciada em conjunto com a ventilação. A intubação orotraqueal é considerada se a VPP com balão e máscara for ineficaz ou prolongada. A administração de adrenalina é reservada para casos de bradicardia persistente após VPP e massagem cardíaca. A monitorização contínua da frequência cardíaca e da saturação de oxigênio é essencial para guiar as decisões e ajustar as intervenções.

Perguntas Frequentes

Quando a ventilação com pressão positiva (VPP) é indicada na reanimação neonatal?

A VPP é indicada se o recém-nascido apresentar apneia, respiração irregular ou gasping, ou se a frequência cardíaca for inferior a 100 batimentos por minuto, após os passos iniciais de estabilização (aquecimento, posicionamento, aspiração se necessário, secagem e estímulo).

Qual a FiO2 inicial recomendada para a VPP em recém-nascidos a termo?

Para recém-nascidos a termo ou pré-termo tardios, a VPP deve ser iniciada com ar ambiente (FiO2 de 21%). A concentração de oxigênio deve ser ajustada com base na oximetria de pulso e na resposta clínica, visando as metas de saturação de oxigênio para a idade pós-natal.

Quando a massagem cardíaca é indicada na reanimação neonatal?

A massagem cardíaca é indicada se a frequência cardíaca do recém-nascido permanecer abaixo de 60 batimentos por minuto, apesar de 30 segundos de ventilação com pressão positiva eficaz e coordenada com a respiração do bebê. A massagem deve ser realizada em conjunto com a VPP.

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