Reanimação Neonatal: Conduta na Bradicardia Persistente

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

RN a termo, nascido de parto cesárea com anestesia geral, foi levado à mesa de reanimação e, na avaliação depois dos passos iniciais, mostrava frequência cardíaca = 50 bpm e não apresentava movimentos respiratórios. A ventilação positiva com balão e máscara em ar ambiente foi iniciada, e a criança foi monitorizada. Após 30 segundos de ventilação, o recém-nascido estava com frequência cardíaca = 50 bpm e Sat O2 = 75%, ainda em apneia. Foi revisada a técnica, e a criança foi ventilada por mais 30 segundos, mas mantinha FC = 50 e Sat O2 = 80%. Segundo as Diretrizes de 2016 de Reanimação Neonatal, da Sociedade Brasileira de Pediatria, a conduta correta é

Alternativas

  1. A) aplicar estímulo tátil com fricção circular.
  2. B) cateterizar a veia umbilical para realização de adrenalina endovenosa.
  3. C) continuar a ventilar com pressão positiva com balão e máscara por mais 30 segundos e oxigênio a 100%.
  4. D) realizar a intubação traqueal do paciente.
  5. E) iniciar massagem cardíaca.

Pérola Clínica

RN com FC < 100 bpm após 60s de VPP otimizada → Intubação traqueal.

Resumo-Chave

Em reanimação neonatal, se a frequência cardíaca permanece abaixo de 100 bpm após 60 segundos de ventilação com pressão positiva (VPP) com técnica adequada, a intubação traqueal é a próxima etapa para otimizar a ventilação e considerar outras intervenções. A saturação de oxigênio deve ser monitorizada, mas a FC é o principal indicador de resposta à VPP.

Contexto Educacional

A reanimação neonatal é um procedimento crítico que exige conhecimento e agilidade, seguindo protocolos bem estabelecidos para garantir a melhor chance de sobrevida e minimizar sequelas em recém-nascidos que não iniciam a respiração espontânea ou apresentam bradicardia. As diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) são a base para a conduta no Brasil, enfatizando a avaliação rápida e a intervenção sequencial. O caso apresentado ilustra uma situação comum: um recém-nascido com bradicardia e apneia que não responde adequadamente à ventilação com pressão positiva (VPP) inicial. Após os passos iniciais, a VPP é a primeira e mais importante intervenção para a maioria dos recém-nascidos que precisam de reanimação. No entanto, se após 30 segundos de VPP eficaz (com boa elevação do tórax) a frequência cardíaca permanece abaixo de 100 bpm, a técnica deve ser revisada. Se, mesmo após a revisão e mais 30 segundos de VPP (totalizando 60 segundos de VPP otimizada), a FC ainda estiver abaixo de 100 bpm, a intubação traqueal é a próxima etapa crucial para garantir uma ventilação pulmonar adequada e eficaz. A intubação permite uma ventilação mais controlada e eficaz, além de ser um pré-requisito para a massagem cardíaca e a administração de adrenalina endovenosa, caso a bradicardia persista. Para residentes, o domínio da sequência de reanimação, a avaliação contínua da FC e a decisão de escalar as intervenções (VPP, intubação, massagem, medicações) são habilidades essenciais para a prática pediátrica e neonatal.

Perguntas Frequentes

Quando a intubação traqueal é indicada na reanimação neonatal?

A intubação traqueal é indicada se a frequência cardíaca do recém-nascido permanecer abaixo de 100 bpm após 60 segundos de ventilação com pressão positiva (VPP) com técnica adequada e vias aéreas desobstruídas.

Qual a importância da frequência cardíaca na avaliação da resposta à reanimação neonatal?

A frequência cardíaca é o indicador mais importante da resposta do recém-nascido às manobras de reanimação, especialmente à ventilação com pressão positiva, e deve ser monitorizada continuamente.

Quais são os passos iniciais da reanimação neonatal antes da VPP?

Os passos iniciais incluem aquecimento, posicionamento da cabeça, aspiração de vias aéreas (se necessário) e secagem, visando estabelecer uma respiração eficaz e prevenir a perda de calor.

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