Reanimação Neonatal: Conduta em RN com Mecônio

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2023

Enunciado

RN sexo masculino, idade gestacional 41 semanas + 1 dia, APGAR 7/8, nascido em 21/07/2022, parto cesáreo, nasceu tinto em mecônio. Apresentou choro fraco ao nascimento, extremidades cianóticas, frequência cardíaca de 120 bpm e boa movimentação. Sua mãe de 39 anos, apresentou Diabetes gestacional que foi controlada com insulina. Não houve outras intercorrências gestacionais. Pré-natal adequado com relato de um aborto espontânea há 2 dois anos. Ultrassonografia em 20/07/2022 estimou peso de 2.750 g. Com relação ao quadro clínico descrito acima e os seus conhecimentos sobre assistência ao recém-nascido em sala de parto, assinale a alternativa que apresenta ações para a condução do paciente em questão.

Alternativas

  1. A) Levar RN à mesa de reanimação em posição de Trendelenbur, iniciar VPP (ventilação com pressão positiva) com máscara facial e ar ambiente nos primeiros 60 segundos de vida, após aspirar cavidade oral e narinas com sonda de aspiração traqueal.
  2. B) Levar RN à mesa de reanimação em decúbito horizontal, diante das boas condições do paciente, realizar leve extensão do pescoço (com ou sem coxim sob os ombros), aspirar boca e depois narinas com sonda de aspiração traqueal, secar, desprezar campos úmidos e reposicionar cabeça.
  3. C) Levar RN à mesa de reanimação em decúbito horizontal. Se houver melhora da coloração da pele e recuperação da vitalidade no primeiro minuto de vida (gold minute) não se deve realizar nenhum procedimento e o contato pele a pele deve ser instituído assim como a tentativa de iniciar a amamentação.
  4. D) Levar RN à mesa de reanimação em posição de Trendelenburg, se mecônio espesso, aspirar boca e narinas com sonda traqueal, realizar laringoscopia seguida de intubação traqueal e aspiração por cânula que deve ser retirada gradativamente. Deve-se realizar uma única aspiração.

Pérola Clínica

RN com mecônio e vitalidade preservada (FC > 100 bpm, respiração regular) → não aspirar rotineiramente, apenas secar e estimular.

Resumo-Chave

A presença de mecônio no líquido amniótico não indica aspiração de rotina em RN vigorosos. A conduta atual prioriza a avaliação da vitalidade do RN no 'minuto de ouro' para decidir sobre intervenções como aspiração ou VPP.

Contexto Educacional

A reanimação neonatal é um pilar fundamental da pediatria e obstetrícia, visando reduzir a morbimortalidade perinatal. A presença de mecônio no líquido amniótico é uma situação comum que exige atenção, mas as diretrizes de manejo evoluíram significativamente. É crucial que o profissional de saúde saiba diferenciar o RN vigoroso do não vigoroso para aplicar a conduta correta. A fisiopatologia da Síndrome de Aspiração Meconial (SAM) envolve a inalação de mecônio para as vias aéreas, causando obstrução, inflamação e inativação do surfactante. O diagnóstico de um RN 'tinto em mecônio' é feito visualmente. A avaliação do vigor do RN (choro, tônus, frequência cardíaca) nos primeiros segundos de vida é o principal fator para decidir a intervenção. A conduta atual para RN tinto em mecônio vigoroso é a assistência de rotina (secar, aquecer, posicionar, estimular). A aspiração de rotina da orofaringe não é mais recomendada. Em RN não vigorosos, a aspiração de boca e narinas pode ser feita, e a ventilação com pressão positiva (VPP) deve ser iniciada se houver apneia ou FC < 100 bpm. O prognóstico depende da gravidade da SAM e da rapidez e adequação da reanimação.

Perguntas Frequentes

Qual a conduta inicial para um RN tinto em mecônio vigoroso?

Para um RN tinto em mecônio vigoroso (choro forte, boa movimentação, FC > 100 bpm), a conduta inicial é secar, aquecer, posicionar e estimular, sem aspiração de rotina.

Quando a aspiração de vias aéreas é indicada em RN com mecônio?

A aspiração de vias aéreas (boca e narinas) é indicada apenas se o RN não for vigoroso e houver obstrução evidente. A aspiração traqueal direta é rara e reservada para casos específicos de obstrução grave.

O que é o 'minuto de ouro' na reanimação neonatal?

O 'minuto de ouro' refere-se aos primeiros 60 segundos de vida, período crucial para avaliar a necessidade de intervenções e iniciar a reanimação, se necessária, visando estabelecer respiração e circulação adequadas.

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