HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2025
Ao prestar assistência a um recém-nascido a termo, nascido de parto vaginal, observa-se que, ao romper a bolsa, o líquido amniótico encontra-se meconial. Logo após a extração, o recém-nascido encontra-se com tônus preservado, mas com movimentos respiratórios irregulares. A conduta apropriada neste caso, após o clampeamento oportuno do cordão umbilical, é
RN com líquido meconial e tônus preservado/respiração irregular → Cuidados de rotina, aspirar boca/nariz SE necessário.
A conduta atual para recém-nascidos com líquido amniótico meconial que nascem com tônus preservado e respiração irregular (não vigorosos) é a mesma dos recém-nascidos sem mecônio: prover calor, secar, posicionar e, se necessário, aspirar boca e nariz. A aspiração traqueal de rotina não é mais recomendada, mesmo para RNs não vigorosos, a menos que haja obstrução evidente.
A presença de líquido amniótico meconial (LAM) é um achado comum em partos, ocorrendo em cerca de 10-15% das gestações a termo e pós-termo. Embora a maioria dos recém-nascidos com LAM nasça vigorosa e não desenvolva complicações, uma parcela pode evoluir para a Síndrome de Aspiração Meconial (SAM), uma condição grave que causa desconforto respiratório e pode levar à morte. A conduta na sala de parto é crucial para prevenir ou minimizar a SAM. As diretrizes atuais de reanimação neonatal, baseadas em evidências, revisaram a abordagem do RN com LAM. Anteriormente, a aspiração traqueal de rotina era preconizada para RNs não vigorosos. No entanto, estudos demonstraram que essa prática não reduz a incidência de SAM e pode até causar complicações. A fisiopatologia da SAM envolve obstrução das vias aéreas, inflamação pulmonar e inativação do surfactante. A conduta apropriada para um recém-nascido com LAM que não está vigoroso (tônus preservado, mas respiração irregular, como no caso) é focar nos cuidados de rotina: prover calor, secar, posicionar a cabeça e, se necessário, aspirar boca e nariz. A ventilação com pressão positiva (VPP) deve ser iniciada se a respiração for ineficaz ou a frequência cardíaca for baixa, sem a necessidade de aspiração traqueal prévia, a menos que haja obstrução evidente. O conhecimento dessas diretrizes é fundamental para a prática segura e eficaz do residente.
Para RNs vigorosos (bom tônus, respiração eficaz), a conduta é a mesma de um RN sem mecônio. Para RNs não vigorosos (tônus flácido, respiração irregular/ausente), a conduta inicial é prover calor, secar, posicionar e, se necessário, aspirar boca e nariz, antes de considerar VPP.
A aspiração traqueal não é mais recomendada de rotina. É considerada apenas se houver evidência de obstrução das vias aéreas que impeça a ventilação com pressão positiva eficaz, ou se o RN não responder à VPP inicial.
Os passos iniciais incluem levar o RN para uma fonte de calor radiante, secar o corpo e a cabeça, desprezar os campos úmidos, posicionar a cabeça em leve extensão cervical e, se necessário, aspirar suavemente boca e nariz com pera ou sonda.
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