Reanimação Neonatal: Manejo do RN com Mecônio

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020

Enunciado

Um recém-nascido a termo de parto cesáreo, que foi indicado por sofrimento fetal, encontra-se, logo após o nascimento, hipotônico e cianótico, banhado em líquido meconial viscoso. Não houve retardo de crescimento intrauterino e a mãe não apresentou intercorrências durante a gestação. Na mesa de reanimação, foram realizadas as manobras iniciais de secagem, oferta de calor e aspiração de boca e narinas com sonda. Decorridos 15 segundos, o recém-nascido encontra-se hipotônico, com respiração irregular e frequência cardíaca de 75 bpm. A conduta que deve ser realizada até completar o primeiro minuto da reanimação é

Alternativas

  1. A) aspirar traqueia sob visualização direta para remover o mecônio.
  2. B) intubar por via endotraqueal e ventilar com pressão positiva.
  3. C) intubar por via endotraqueal e aspirar vias aéreas inferiores.
  4. D) ventilar com pressão positiva através de máscara facial.

Pérola Clínica

RN com mecônio, hipotônico, FC < 100 bpm após manobras iniciais → iniciar VPP com máscara.

Resumo-Chave

Em um recém-nascido com líquido meconial viscoso, hipotônico e com FC < 100 bpm (75 bpm no caso) após os passos iniciais, a prioridade é iniciar a ventilação com pressão positiva (VPP) por máscara. A aspiração traqueal sob visualização direta para remover mecônio não é mais uma rotina inicial, sendo reservada para situações específicas.

Contexto Educacional

A reanimação neonatal de recém-nascidos expostos a líquido meconial viscoso é um cenário clínico desafiador que exige conhecimento atualizado dos protocolos. A presença de mecônio pode indicar sofrimento fetal e aumenta o risco de Síndrome de Aspiração Meconial (SAM), uma condição grave que afeta as vias aéreas e os pulmões do bebê. A conduta inicial é crucial para prevenir complicações e garantir a sobrevida e a qualidade de vida do neonato. As diretrizes atuais de reanimação neonatal enfatizam que, na presença de mecônio, as manobras iniciais (secagem, aquecimento, posicionamento e aspiração de boca/narinas se necessário) devem ser realizadas. Se o recém-nascido não estiver vigoroso (hipotônico, com respiração irregular/apneia ou frequência cardíaca abaixo de 100 bpm), a prioridade é iniciar a ventilação com pressão positiva (VPP) por máscara. A aspiração traqueal sob visualização direta para remover mecônio não é mais uma rotina inicial e é reservada para situações específicas de obstrução. Para residentes, é vital compreender que a bradicardia (FC < 100 bpm) é o principal indicador para iniciar a VPP, independentemente da presença de mecônio. A intubação e aspiração traqueal são consideradas apenas se a VPP não for eficaz e houver forte suspeita de obstrução das vias aéreas por mecônio. Dominar esses passos é fundamental para um manejo eficaz e para evitar erros que podem comprometer o desfecho do recém-nascido.

Perguntas Frequentes

Qual a conduta inicial para um recém-nascido com líquido meconial viscoso?

As manobras iniciais são as mesmas para qualquer RN: secagem, oferta de calor, posicionamento da cabeça e aspiração de boca e narinas, se necessário. A aspiração traqueal de rotina não é mais recomendada.

Quando iniciar a ventilação com pressão positiva (VPP) em um RN com mecônio?

A VPP deve ser iniciada se, após as manobras iniciais, o RN apresentar respiração irregular ou apneia, ou frequência cardíaca abaixo de 100 bpm, independentemente da presença de mecônio.

A intubação endotraqueal é indicada para aspiração de mecônio?

Atualmente, a intubação para aspiração de mecônio é reservada para casos em que há obstrução de vias aéreas que impede a ventilação ou quando a VPP não é eficaz e há suspeita de obstrução traqueal por mecônio espesso.

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