UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2022
O pediatra é chamado para atender na sala de parto a um nascimento a termo. Trata-se de uma gestante com 40 semanas de idade gestacional, sem comorbidades, que realizou 12 consultas de pré-natal, não apresentou nenhuma intercorrência durante a gestação e evoluiu para parto vaginal. A ruptura das membranas amnióticas ocorreu 30 minutos antes, observando-se a presença de líquido amniótico meconial fluido. Ao nascimento, o recém-nascido apresenta choro forte e tônus em flexão. Com base nos dados apresentados e considerando as Diretrizes de Reanimação Neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria – 2021, considere as seguintes afirmativas: 1. Recomenda-se que o obstetra proceda à aspiração de vias aéreas do recém-nascido logo após o nascimento. 2. O clampeamento tardio do cordão umbilical está indicado e deve ser realizado entre 1 e 3 minutos. 3. Recomenda-se a realização dos passos iniciais da reanimação e, se o recém-nascido apresentar boa vitalidade, levá-lo assim que possível para permanecer em contato pele-a-pele com sua mãe. 4. Para redução da hipotermia neonatal, recomenda-se manter a temperatura ambiente da sala de parto e da sala de reanimação entre 20 e 23 ºC e garantir que as portas permaneçam fechadas para minimizar as correntes de ar. Assinale a alternativa correta.
RN vigoroso com líquido meconial: NÃO aspirar vias aéreas; clampeamento tardio (1-3 min) indicado; contato pele-a-pele prioritário.
As diretrizes de reanimação neonatal enfatizam a avaliação da vitalidade do RN para guiar a conduta. Em RN vigorosos, mesmo com líquido meconial, prioriza-se o clampeamento tardio e o contato pele-a-pele, evitando intervenções desnecessárias como a aspiração de rotina.
As Diretrizes de Reanimação Neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) de 2021 fornecem um guia essencial para a conduta no momento do nascimento, visando otimizar a transição da vida intra para a extrauterina. Um ponto crucial é a avaliação da vitalidade do recém-nascido (RN) para determinar a necessidade e o grau de intervenção. Um RN a termo com choro forte e tônus em flexão é considerado vigoroso. Em casos de líquido amniótico meconial fluido, se o RN é vigoroso, as diretrizes atuais desaconselham a aspiração de rotina de vias aéreas, seja da orofaringe ou da traqueia, pois não há evidências de benefício e pode causar bradicardia ou laringoespasmo. Para esses RN vigorosos, o clampeamento tardio do cordão umbilical, entre 1 e 3 minutos, é recomendado, pois promove a transfusão placentária e reduz a incidência de anemia. O contato pele-a-pele imediato com a mãe também é prioritário, auxiliando na estabilização térmica e no vínculo. A prevenção da hipotermia neonatal é uma meta fundamental. A temperatura ambiente da sala de parto e de reanimação deve ser mantida entre 23 e 26 °C para RN a termo e pré-termo tardios, e não entre 20 e 23 °C, que seria inadequado. Residentes devem dominar esses pontos para garantir uma assistência neonatal segura e baseada nas melhores evidências, evitando intervenções desnecessárias e focando no suporte fisiológico e no vínculo familiar.
A aspiração de vias aéreas é indicada apenas para recém-nascidos não vigorosos (deprimidos) com líquido meconial, e deve ser realizada sob visualização direta da traqueia para remover o mecônio.
Para recém-nascidos a termo ou pré-termo tardios vigorosos, o clampeamento tardio do cordão umbilical, entre 1 e 3 minutos após o nascimento, é recomendado para otimizar a transfusão placentária e reduzir a anemia.
A temperatura ambiente da sala de parto e de reanimação deve ser mantida entre 23 e 26 °C para recém-nascidos a termo e pré-termo tardios, a fim de prevenir a hipotermia neonatal.
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