HE Cachoeiro - Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES) — Prova 2024
Considere o caso a seguir: Ao ser informado sobre a admissão de uma parturiente de 39 semanas e 2 dias de idade gestacional, o pediatra encarregado pela sala de parto prontamente requisitou o cartão de pré-natal desta mãe, inteirando-se de que se tratava de gravidez de risco habitual, com nove consultas realizadas em unidade básica de saúde, com sorologias para HIV, sífilis, toxoplasmose, rubéola e hepatite B não reagentes. A gestante apresentou níveis tensionais adequados em todas as consultas, níveis glicêmicos controlados e não houve episódios de infecção. Ao realizar anamnese materna, orientou a gestante acerca do papel do pediatra na sala de parto. Após isso realizou briefing com a equipe assistencial e novamente conferiu a presença de matérias e equipamentos necessários a reanimação neonatal. Cerca de uma hora mais tarde, com a evolução do parto por via vaginal, ao nascimento observou-se que o recém-nascido estava hipotônico. O pediatra procedeu ao clamp imediato, levou o neonato ao berço aquecido, secou o paciente e estendeu levemente seu pescoço para abertura de via aérea. Ao constatar que a frequência cardíaca era de vinte batimentos por minuto, iniciou imediatamente ventilação com pressão positiva sem oxigênio suplementar. Solicitou a seu auxiliar que monitorizasse o paciente. Trinta segundos depois, notou que, apesar de a técnica de ventilação estar correta, a frequência cardíaca era de zero batimentos por minuto. Diante disso, iniciou imediatamente massagem cardíaca sincronizada em três compressões para uma ventilação. Assegurou-se que a técnica de compressão e ventilação com máscara facial estavam corretas. Como não houve melhora, procedeu à infusão de adrenalina - via cateter umbilical - de três em três minutos, e finalmente ao uso de expansão com soro fisiológico. Ainda assim, o paciente não apresentou melhora com as medidas instituídas, evoluindo para óbito. Nesse caso, ao avaliarmos a abordagem do pediatra, é CORRETO afirmar que:
Massagem cardíaca neonatal → Iniciar APÓS VPP adequada e intubação orotraqueal, se FC < 60 bpm.
Na reanimação neonatal, a massagem cardíaca só deve ser iniciada após 30 segundos de ventilação com pressão positiva (VPP) eficaz, com via aérea garantida (preferencialmente por intubação orotraqueal), e se a frequência cardíaca permanecer abaixo de 60 batimentos por minuto. A prioridade é sempre a ventilação adequada.
A reanimação neonatal é um conjunto de procedimentos essenciais realizados em recém-nascidos que não iniciam a respiração espontânea ou apresentam sinais de sofrimento ao nascimento. Estima-se que cerca de 10% dos recém-nascidos necessitem de alguma forma de assistência para iniciar a respiração, e menos de 1% precisarão de medidas mais avançadas, como intubação, massagem cardíaca ou medicamentos. A asfixia perinatal é a principal causa de parada cardiorrespiratória no neonato, e a ventilação pulmonar é a medida mais eficaz para reverter a bradicardia e a hipóxia. O algoritmo de reanimação neonatal preconiza uma sequência de ações baseada na avaliação da respiração, frequência cardíaca e tônus. As etapas iniciais incluem o fornecimento de calor, posicionamento da via aérea, aspiração de secreções (se necessário) e secagem. Se o recém-nascido permanecer apneico, com respiração irregular ou frequência cardíaca abaixo de 100 bpm, a ventilação com pressão positiva (VPP) deve ser iniciada imediatamente. A VPP é a intervenção mais importante e deve ser realizada por 30 segundos antes de reavaliar. A massagem cardíaca só é indicada se a frequência cardíaca permanecer abaixo de 60 batimentos por minuto, APÓS 30 segundos de VPP eficaz e com a via aérea garantida, preferencialmente por intubação orotraqueal. A intubação assegura uma ventilação mais eficiente e minimiza a distensão gástrica. A relação compressão-ventilação é de 3:1. A adrenalina é o fármaco de escolha em casos de bradicardia persistente e é administrada por via endovenosa (cateter umbilical) ou intraóssea, ou via tubo orotraqueal (embora menos eficaz). A expansão volêmica é reservada para casos de choque hipovolêmico suspeito ou confirmado. A adesão rigorosa ao algoritmo e a coordenação da equipe são fundamentais para o sucesso da reanimação.
As etapas iniciais incluem levar ao berço aquecido, secar, posicionar a cabeça para abrir via aérea, aspirar se necessário e, se o RN não respirar ou tiver FC < 100 bpm, iniciar ventilação com pressão positiva.
A massagem cardíaca é indicada se a frequência cardíaca permanecer abaixo de 60 batimentos por minuto após 30 segundos de ventilação com pressão positiva eficaz, com a via aérea garantida (idealmente por intubação orotraqueal).
A intubação orotraqueal garante a perviedade e a eficácia da via aérea, permitindo uma ventilação com pressão positiva mais controlada e eficiente, o que é crucial para oxigenar o miocárdio antes de iniciar as compressões cardíacas.
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