Reanimação Neonatal: Conduta na Bradicardia e Apneia

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025

Enunciado

O pediatra de plantão no centro obstétrico atendeu um recém‑nascido com idade gestacional de 36 semanas, que nasceu sem respiração e hipotônico, permanecendo assim, apesar do estímulo tátil realizado pelo obstetra. Foi feito, então, o clampeamento imediato do cordão. O pediatra o coloca sob fonte de calor, seca, estimula, posiciona a cabeça e aspira vias aereas pois há bastante secreção. Em seguida reavalia o recém nascido que está respirando de maneira irregular e com frequência cardíaca igual a 80 bpm. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a conduta a ser, imediatamente, tomada.

Alternativas

  1. A) monitorar SatO2 pré‑ductal e considerar CPAP
  2. B) considerar máscara laríngea ou intubação traqueal
  3. C) realizar ventilação com pressão positiva com ar ambiente e iniciar monitoração com oxímetro de pulso e monitor cardíaco
  4. D) realizar ventilação com cânula traqueal e massagem cardíaca coordenada
  5. E) levar para o pele a pele junto à parturiente: manter normotermia, manter vias aéreas pérvias e avaliar a vitalidade de modo contínuo

Pérola Clínica

RN com FC < 100 bpm e/ou apneia/respiração irregular após passos iniciais → iniciar VPP com ar ambiente e monitorar SatO2/FC.

Resumo-Chave

Após os passos iniciais da reanimação neonatal (calor, secar, estimular, posicionar, aspirar), se o RN apresenta respiração irregular e frequência cardíaca abaixo de 100 bpm (neste caso, 80 bpm), a próxima conduta é iniciar a ventilação com pressão positiva (VPP) com ar ambiente e monitorar a saturação de oxigênio e a frequência cardíaca para guiar as próximas etapas.

Contexto Educacional

A reanimação neonatal é um conjunto de procedimentos essenciais realizados imediatamente após o nascimento para auxiliar recém-nascidos que não iniciam a respiração espontaneamente ou apresentam sinais de sofrimento. Cerca de 10% dos recém-nascidos necessitam de alguma forma de assistência para iniciar a respiração, e menos de 1% requerem medidas mais avançadas. A atuação rápida e correta é crucial para prevenir sequelas neurológicas e reduzir a mortalidade. A fisiopatologia da depressão neonatal frequentemente envolve asfixia perinatal, que leva à hipóxia e acidose. O protocolo de reanimação neonatal, guiado por sociedades como a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) e a AHA (American Heart Association), enfatiza uma sequência de ações baseadas na avaliação da respiração e frequência cardíaca. Após os passos iniciais (calor, posicionamento, secagem, estímulo e aspiração se necessário), a reavaliação é fundamental. Se o recém-nascido apresenta apneia, respiração irregular ou frequência cardíaca abaixo de 100 bpm, a ventilação com pressão positiva (VPP) é a próxima etapa. A VPP deve ser iniciada com ar ambiente (21% de oxigênio), e a eficácia é avaliada pela elevação da frequência cardíaca e melhora da respiração. A monitorização contínua da saturação de oxigênio (pré-ductal) e da frequência cardíaca é vital para guiar a necessidade de oxigênio suplementar ou outras intervenções, como massagem cardíaca ou medicamentos.

Perguntas Frequentes

Quais são os passos iniciais da reanimação neonatal?

Os passos iniciais incluem proporcionar calor, posicionar a cabeça para abrir as vias aéreas, secar o recém-nascido, aspirar secreções se necessário e realizar estímulo tátil. Estes devem ser feitos rapidamente em 30 segundos, antes de considerar a VPP.

Quando a ventilação com pressão positiva (VPP) deve ser iniciada em um recém-nascido?

A VPP deve ser iniciada se, após os passos iniciais, o recém-nascido apresentar apneia, respiração irregular ou gasping, ou frequência cardíaca abaixo de 100 batimentos por minuto, indicando insuficiência respiratória ou circulatória.

Por que iniciar a VPP com ar ambiente na reanimação neonatal?

A VPP deve ser iniciada com ar ambiente (21% de oxigênio) para evitar a hiperóxia, que pode ser prejudicial ao recém-nascido. O oxigênio suplementar só é adicionado se a saturação de oxigênio não atingir os alvos para a idade gestacional, monitorada por oxímetro de pulso.

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