Reanimação Hipotensiva no Trauma: Indicações e Contraindicações

UNIUBE - Universidade de Uberaba (MG) — Prova 2017

Enunciado

No paciente traumatizado, em choque hipovolêmico, uma das estratégias utilizadas é a reanimação hipotensiva. Em relação a esta terapia, a afirmação correta é:

Alternativas

  1. A) A pressão sistólica deve ser mantida em 75 mmHg, e no trauma abdominal contuso indicar o tratamento não operatório.
  2. B) É contraindicada na presença de traumatismo craniano, independente do mecanismo de trauma.
  3. C) A resposta volêmica deve ser realizada com concentrados de hemácias conforme taxa de hemoglobina.
  4. D) O controle de reposição volêmica é realizado na unidade de terapia intensiva, por meio do balanço hídrico.

Pérola Clínica

Reanimação hipotensiva é CONTRAINDICADA em traumatismo craniano (TCE) devido ao risco de hipoperfusão cerebral.

Resumo-Chave

A reanimação hipotensiva (ou hipotensão permissiva) é uma estratégia para pacientes traumatizados com hemorragia não controlada, visando manter uma pressão arterial sistólica mais baixa para evitar a diluição dos fatores de coagulação e a exacerbação da hemorragia. No entanto, é absolutamente contraindicada em pacientes com traumatismo craniano, pois a hipotensão pode agravar a lesão cerebral secundária.

Contexto Educacional

O choque hipovolêmico é uma das principais causas de morte evitável no paciente traumatizado. A reanimação volêmica agressiva tem sido a pedra angular do tratamento, mas a estratégia de 'reanimação hipotensiva' ou 'hipotensão permissiva' ganhou espaço em cenários específicos, especialmente em pacientes com hemorragia não controlada. Esta abordagem visa manter uma pressão arterial sistólica mais baixa para evitar a diluição de fatores de coagulação e a exacerbação do sangramento antes do controle cirúrgico definitivo. A fisiopatologia por trás da reanimação hipotensiva sugere que a elevação excessiva da pressão arterial antes do controle da hemorragia pode 'romper' coágulos formados e aumentar o sangramento. No entanto, é crucial entender suas contraindicações. A mais importante é a presença de traumatismo craniano (TCE), onde a manutenção de uma pressão de perfusão cerebral adequada é vital para prevenir lesões cerebrais secundárias. A hipotensão nesses pacientes pode levar a isquemia cerebral e piorar o prognóstico neurológico. Residentes devem dominar as indicações e, principalmente, as contraindicações da reanimação hipotensiva. Enquanto pode ser benéfica em traumas torácicos ou abdominais penetrantes sem TCE, a prioridade em pacientes com TCE é manter a normotensão. O controle de reposição volêmica deve ser guiado por parâmetros clínicos e, idealmente, pela identificação e controle rápido da fonte de sangramento, muitas vezes com cirurgia de controle de danos.

Perguntas Frequentes

Qual o objetivo da reanimação hipotensiva no trauma?

O objetivo da reanimação hipotensiva é manter uma pressão arterial sistólica mais baixa (geralmente 80-90 mmHg) em pacientes com hemorragia não controlada. Isso visa evitar a diluição de fatores de coagulação, a exacerbação do sangramento e a desestabilização de coágulos formados, enquanto se aguarda o controle definitivo da hemorragia.

Por que a reanimação hipotensiva é contraindicada no traumatismo craniano?

A reanimação hipotensiva é contraindicada no traumatismo craniano (TCE) porque a hipotensão arterial pode reduzir a pressão de perfusão cerebral, agravando a lesão cerebral secundária e aumentando a morbimortalidade. Nesses casos, a pressão arterial deve ser mantida em níveis normais para garantir a perfusão cerebral adequada.

Quais são os limites de pressão arterial sistólica recomendados na reanimação hipotensiva?

Embora não haja um consenso absoluto, geralmente se busca uma pressão arterial sistólica de 80-90 mmHg ou uma pressão arterial média de 50-60 mmHg, desde que o paciente esteja consciente e com pulsos periféricos palpáveis. O objetivo é a perfusão de órgãos vitais sem exacerbar o sangramento.

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