UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024
Analise as afirmativas a seguir sobre os componentes da estratégia perioperatória de reanimação hemostática ou de controle de danos no choque hemorrágico traumático:I - Minimiza-se o uso de cristaloides venosos e se adota hipotensão permissiva até o controle definitivo do sangramento.II - Inicialmente, é apropriado o uso venoso de solução salina hipertônica.III - Guia-se a transfusão de componentes sanguíneos pelos resultados dos exames laboratoriais. Pode-se afirmar que está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):
Choque hemorrágico traumático → hipotensão permissiva + minimização de cristaloides + transfusão balanceada.
Na reanimação hemostática de controle de danos para choque hemorrágico traumático, a estratégia visa minimizar a diluição e a coagulopatia. Isso inclui a manutenção de uma hipotensão permissiva até o controle cirúrgico do sangramento e a restrição do uso de cristaloides, que podem agravar a coagulopatia e a acidose.
O choque hemorrágico traumático é uma das principais causas de morte evitável em pacientes traumatizados. A estratégia de reanimação hemostática ou de controle de danos visa interromper o ciclo vicioso da tríade letal (hipotermia, acidose e coagulopatia) e restaurar a perfusão tecidual de forma controlada. A epidemiologia mostra que a hemorragia incontrolável é responsável por uma parcela significativa das mortes precoces pós-trauma. A fisiopatologia do choque hemorrágico envolve a perda maciça de volume sanguíneo, levando à hipoperfusão e disfunção orgânica. A reanimação de controle de danos preconiza a hipotensão permissiva (manter a pressão arterial sistólica entre 80-90 mmHg em pacientes sem lesão cerebral traumática grave) até o controle cirúrgico do sangramento, minimizando a infusão de cristaloides para evitar diluição e coagulopatia. A transfusão de componentes sanguíneos deve ser guiada clinicamente e por exames laboratoriais, buscando uma proporção balanceada de hemácias, plasma fresco congelado e plaquetas. O tratamento envolve o controle rápido da fonte de sangramento (cirurgia, embolização), a reanimação com hemoderivados em proporções balanceadas (transfusão maciça, se indicada) e a correção da coagulopatia e acidose. O prognóstico melhora significativamente com a aplicação precoce e correta desses princípios. Pontos de atenção incluem a monitorização contínua dos parâmetros hemodinâmicos e laboratoriais para guiar a reanimação e a rápida identificação e tratamento da fonte de sangramento.
Hipotensão permissiva é uma estratégia que mantém a pressão arterial sistólica em níveis mais baixos (geralmente 80-90 mmHg) em pacientes com choque hemorrágico traumático, antes do controle definitivo do sangramento, para evitar a disrupção do coágulo e o aumento da hemorragia.
O uso excessivo de cristaloides pode levar à diluição dos fatores de coagulação, hipotermia, acidose e aumento da pressão hidrostática, o que pode exacerbar o sangramento e piorar a coagulopatia induzida pelo trauma.
A solução salina hipertônica pode ser usada inicialmente para reanimação volêmica em pequenas doses, pois tem um efeito de expansão de volume mais rápido e pode reduzir o edema cerebral em trauma cranioencefálico associado, mas não substitui a necessidade de controle do sangramento e transfusão de hemoderivados.
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