USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Multigesta, 31 anos, com 40 semanas, é admitida à maternidade na fase ativa do trabalho de parto espontâneo. Pré-natal sem intercorrências em UBS. Durante sua assistência, se auscultou desacelerações da frequência cardíaca fetal (FCF). Nesse momento, a paciente apresenta sinais vitais normais. Seu exame físico obstétrico mostra altura uterina de 35 cm, 3 contrações moderadas/50”/10’ e colo uterino centrado, curto, dilatado 8 cm, feto cefálico ODT, em 0, com bolsão palpável. O traçado contínuo da FCF está demonstrado a seguir.Após análise da vitalidade fetal, escolha a melhor conduta na condução deste trabalho de parto.
Desacelerações FCF no TP → iniciar manobras de reanimação fetal intrauterina antes de considerar cesariana.
Desacelerações da FCF durante o trabalho de parto exigem avaliação imediata da vitalidade fetal. Antes de indicar uma cesariana de emergência, devem-se realizar manobras de reanimação fetal intrauterina para tentar reverter o quadro e otimizar a oxigenação fetal.
A monitorização da frequência cardíaca fetal (FCF) é um componente crucial na avaliação do bem-estar fetal durante o trabalho de parto. Desacelerações da FCF podem indicar hipóxia fetal e exigem uma avaliação cuidadosa para determinar a gravidade e a necessidade de intervenção. É fundamental diferenciar entre desacelerações benignas (como as precoces) e aquelas que sugerem comprometimento fetal (tardias ou variáveis graves). Ao identificar desacelerações preocupantes, a primeira linha de ação é a realização de manobras de reanimação fetal intrauterina. Essas medidas visam otimizar o fluxo sanguíneo uteroplacentário e a oxigenação fetal. Incluem a mudança de decúbito materno (preferencialmente para o lado esquerdo), administração de oxigênio suplementar à mãe, hidratação venosa e, se houver hiperestimulação uterina, a suspensão de ocitocina ou o uso de tocolíticos. A decisão de prosseguir com o parto vaginal ou indicar uma cesariana de emergência depende da resposta fetal a essas manobras, da persistência e gravidade das desacelerações, do estágio do trabalho de parto e das condições maternas. A intervenção cirúrgica é reservada para os casos em que as manobras de reanimação não são eficazes e há evidência de sofrimento fetal agudo progressivo, visando minimizar os riscos de lesão neurológica ou óbito fetal.
As manobras incluem mudança de decúbito materno (lateral esquerdo), hidratação venosa, oxigenoterapia materna, suspensão de ocitocina e, se necessário, tocolíticos para reduzir a dinâmica uterina.
Desacelerações tardias persistentes, desacelerações variáveis graves ou bradicardia prolongada, especialmente se associadas à perda de variabilidade, podem indicar sofrimento fetal agudo e necessidade de intervenção rápida.
A monitorização contínua permite identificar precocemente alterações na FCF que podem indicar hipóxia fetal, possibilitando a intervenção oportuna e a prevenção de desfechos adversos.
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