FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Lactente de 6 meses internado na enfermaria pediátrica de um Hospital, com quadro de bronquiolite viral aguda para monitorização do padrão respiratório. A equipe da enfermagem nota que o paciente se encontra pouco responsivo e aciona o Time de Resposta Rápida (TRR). A equipe médica chega ao leito e encontra o bebê extremamente pálido, pouco responsivo com os seguintes sinais vitais FC: 48 bpm FR: 22 ipm SATO₂:75% em ar ambiente, perfusão lentificada e extremidades frias com pulsos periféricos fracos. O carrinho de parada já está ao lado do paciente com todos os materiais necessários para os cuidados imediatos. Qual a conduta para este caso?
Bradicardia pediátrica com má perfusão → 1º VPP; se FC < 60 após oxigenação → Compressões.
Na pediatria, a bradicardia é frequentemente hipoxêmica. O primeiro passo é garantir oxigenação e ventilação eficazes antes de iniciar compressões ou drogas.
O manejo da bradicardia em pediatria difere significativamente do adulto devido à etiologia predominantemente respiratória. Lactentes possuem um débito cardíaco que é altamente dependente da frequência cardíaca, e a hipóxia miocárdica rapidamente leva à bradicardia extrema e parada cardíaca em assistolia. O algoritmo do PALS enfatiza a 'ventilação primeiro'. A identificação precoce de sinais de choque (perfusão lentificada, extremidades frias) em um paciente bradicárdico exige suporte ventilatório imediato. Se a ventilação não restaurar a FC acima de 60 bpm, o ciclo de compressões e ventilações (15:2 com dois socorristas) deve ser iniciado para manter o débito cardíaco enquanto se busca o acesso vascular para administração de adrenalina.
De acordo com as diretrizes do PALS (Pediatric Advanced Life Support), as compressões torácicas devem ser iniciadas se a frequência cardíaca (FC) permanecer abaixo de 60 batimentos por minuto (bpm) com sinais de má perfusão sistêmica (palidez, pulsos fracos, alteração do nível de consciência), MESMO APÓS a instituição de ventilação e oxigenação adequadas. A hipóxia é a causa mais comum de bradicardia em crianças, por isso a ventilação com pressão positiva (VPP) é a intervenção prioritária antes das manobras circulatórias.
A primeira conduta é garantir a via aérea e iniciar a ventilação com pressão positiva (VPP) conectada a uma fonte de oxigênio. Como a maioria das bradicardias pediátricas é secundária à insuficiência respiratória e hipóxia, a restauração da oxigenação frequentemente reverte a queda da frequência cardíaca. A equipe deve reavaliar a FC e os sinais de perfusão após 30 segundos de ventilação eficaz antes de decidir por intervenções mais invasivas.
A epinefrina é indicada no algoritmo de bradicardia pediátrica quando a FC permanece < 60 bpm com má perfusão, apesar de ventilação e compressões torácicas eficazes. A dose recomendada é de 0,01 mg/kg (0,1 mL/kg da concentração 1:10.000) por via endovenosa ou intraóssea. Diferente dos adultos, onde a atropina é frequentemente a primeira droga, na pediatria a epinefrina é preferida, a menos que haja suspeita de bloqueio AV primário ou aumento do tônus vagal.
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