FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026
Criança de 3 anos de idade foi trazida pelos familiares ao pronto-socorro, vítima de afogamento em piscina há cerca de 10 minutos. Chegou à sala de emergência arresponsiva, sem respiração e sem pulso central palpável. Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta a conduta imediata adequada.
PCR por afogamento → Priorizar ventilação + compressões 15:2 (2 socorristas).
No afogamento pediátrico, a causa da PCR é invariavelmente a hipóxia. Portanto, a reanimação deve priorizar a oxigenação e ventilação precoces, utilizando a proporção de 15 compressões para 2 ventilações quando houver dois profissionais de saúde.
O afogamento é uma das principais causas de morte acidental em crianças. A fisiopatologia envolve submersão seguida de apneia voluntária, laringoespasmo e eventual aspiração de líquido, culminando em hipóxia grave. O sucesso da reanimação depende da rapidez com que a oxigenação é restabelecida. No ambiente hospitalar ou de emergência, o manejo segue o protocolo PALS. A sequência recomendada para profissionais de saúde em casos de asfixia/hipóxia é o A-B-C (Via aérea, Respiração, Compressões) ou o início imediato de ciclos de 15:2. O uso de oxigênio a 100% é indicado inicialmente, com ajuste posterior baseado na saturação de oxigênio após o retorno da circulação espontânea (RCE). A desfibrilação só é indicada se o ritmo for chocável (FV/TV sem pulso), o que é raro em afogamentos, onde a assistolia ou atividade elétrica sem pulso (AESP) predominam.
Diferente da parada cardiorrespiratória (PCR) súbita no adulto, que geralmente tem origem cardíaca (arritmias), a PCR no afogamento é um evento secundário à hipóxia profunda. O insulto inicial é a interrupção das trocas gasosas, levando à hipoxemia, acidose e, finalmente, assistolia. Portanto, restaurar a oxigenação e a ventilação é o passo mais crítico para reverter a causa base e proteger o cérebro. Iniciar apenas com compressões (Hands-only) é ineficaz no afogamento, pois o sangue circulante já está desoxigenado; as ventilações de resgate com oxigênio a 100% são fundamentais desde o início da reanimação.
De acordo com as diretrizes do PALS (Pediatric Advanced Life Support), a relação compressão-ventilação depende do número de socorristas e do treinamento. Para profissionais de saúde em uma cena com dois ou mais socorristas, a proporção recomendada é de 15 compressões para 2 ventilações. Se houver apenas um socorrista, utiliza-se 30:2. Essa proporção de 15:2 visa fornecer uma frequência ventilatória maior, o que é benéfico para lactentes e crianças, que possuem necessidades metabólicas e respiratórias distintas dos adultos. A frequência das compressões deve ser de 100 a 120 por minuto.
Não. Manobras para drenar água dos pulmões, como posicionar a criança de cabeça para baixo ou realizar compressões abdominais (Heimlich), são contraindicadas e perigosas. A quantidade de água aspirada no afogamento costuma ser pequena e é rapidamente absorvida pela circulação ou passa para o interstício; o que impede a ventilação é frequentemente o laringoespasmo ou a própria parada respiratória. Tentar drenar a água retarda o início das compressões e ventilações efetivas e aumenta significativamente o risco de regurgitação e aspiração de conteúdo gástrico, piorando o prognóstico da criança.
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