Realimentação Pós-Operatória: Quando Iniciar Dieta Oral?

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2019

Enunciado

Um paciente de 20 anos de idade, submetido a apendicectomia por incisão de McBurney por apendicite aguda fase III, operado sem intercorrências, está no primeiro dia de pós-operatório. Pulso: 82 bpm; PA: 110 × 80 mmHg. Refere dor na incisão. A ferida operatória está seca e com bom aspecto. Tem dor discreta à palpação de fossa ilíaca direita. Os ruídos hidroaéreos estão audíveis, ainda que fracos. O paciente ainda não evacuou, mas relata eliminação de gases. Melhor conduta, entre as opções a seguir, no que se refere à realimentação:

Alternativas

  1. A) Introduzir dieta leve.
  2. B) Solicitar ultrassom de abdome para descartar abscesso intraperitoneal e decidir sobrea realimentação com base no resultado.
  3. C) Aguardar evacuação para introduzir dieta.
  4. D) Aguardar melhora do padrão de ausculta abdominal para introduzir dieta.
  5. E) Introduzir água, chá e gelatina.

Pérola Clínica

Pós-operatório cirurgia abdominal → Eliminação de gases = Início dieta oral leve.

Resumo-Chave

A eliminação de gases é um sinal crucial de retorno da função intestinal após cirurgia abdominal, indicando que a realimentação oral pode ser iniciada com dieta leve, promovendo a recuperação e diminuindo o tempo de internação.

Contexto Educacional

A realimentação pós-operatória é um aspecto fundamental do manejo de pacientes submetidos a cirurgias abdominais. Historicamente, a prática era aguardar o retorno completo do peristaltismo e a evacuação antes de iniciar a dieta oral. No entanto, as diretrizes atuais, baseadas em evidências, preconizam a realimentação precoce, que contribui para uma recuperação mais rápida e com menos complicações. O íleo pós-operatório é uma condição comum caracterizada pela disfunção temporária da motilidade intestinal. A eliminação de gases (flatos) é um indicador confiável de que o trânsito intestinal está começando a se restabelecer, mesmo que os ruídos hidroaéreos ainda estejam fracos e o paciente não tenha evacuado. Este sinal é crucial para a decisão de iniciar a dieta oral. A introdução de uma dieta leve, como líquidos claros ou alimentos de fácil digestão, estimula o trato gastrointestinal, acelera a resolução do íleo e melhora o bem-estar do paciente. É importante monitorar a tolerância do paciente, observando náuseas, vômitos, distensão abdominal ou dor. A realimentação precoce faz parte dos protocolos de recuperação otimizada (ERAS - Enhanced Recovery After Surgery), que visam reduzir o estresse cirúrgico e acelerar a alta hospitalar.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de retorno do trânsito intestinal após cirurgia?

Os sinais incluem a eliminação de gases (flatos), a presença de ruídos hidroaéreos e, posteriormente, a evacuação. A eliminação de gases é um dos primeiros e mais importantes indicadores.

Por que a realimentação precoce é importante após cirurgia abdominal?

A realimentação precoce estimula a motilidade intestinal, reduz a duração do íleo pós-operatório, melhora o conforto do paciente, diminui o tempo de internação e pode reduzir complicações.

Qual o tipo de dieta inicial após cirurgia abdominal?

Geralmente, inicia-se com uma dieta líquida clara (água, chá, gelatina) e progride-se para uma dieta leve e, em seguida, para uma dieta geral, conforme a tolerância do paciente.

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