UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
A maior parte das infecções bacterianas transfusionais se relaciona a administração de:
Infecção bacteriana transfusional: ↑ Risco em Plaquetas (armazenadas a 20-24°C).
Plaquetas são mantidas em temperatura ambiente, o que favorece a proliferação bacteriana, tornando-as o hemocomponente com maior taxa de contaminação.
A contaminação bacteriana de hemocomponentes é uma das complicações infecciosas mais graves da medicina transfusional moderna. Enquanto o risco de vírus (HIV, Hepatites) caiu drasticamente com os testes de ácidos nucleicos (NAT), a contaminação bacteriana permanece um desafio devido à natureza do armazenamento das plaquetas. Estima-se que 1 em cada 2.000 a 5.000 unidades de plaquetas possa estar contaminada. Os patógenos mais comuns são Gram-positivos (Staphylococcus, Streptococcus), mas as reações mais graves e fatais costumam ser causadas por Gram-negativos (como Klebsiella ou Serratia), que podem produzir endotoxinas. A vigilância ativa e a interrupção precoce da transfusão ao primeiro sinal de febre são fundamentais para a sobrevivência do paciente.
Diferente de outros hemocomponentes, o concentrado de plaquetas deve ser armazenado em temperatura ambiente (20°C a 24°C) sob agitação constante para manter sua viabilidade e função. Essa temperatura é ideal para o crescimento de diversas bactérias, especialmente Gram-positivos da microbiota da pele (como Staphylococcus spp.) que podem ser introduzidos durante a coleta, aumentando significativamente o risco de sepse transfusional.
Os sinais clínicos costumam aparecer rapidamente durante ou logo após a transfusão e incluem febre alta (geralmente elevação > 2°C), calafrios, hipotensão, taquicardia, náuseas e vômitos. Em casos graves, pode evoluir para choque séptico e coagulação intravascular disseminada (CIVD). Diante da suspeita, a transfusão deve ser interrompida imediatamente e o hemocomponente enviado para cultura.
As estratégias incluem a antissepsia rigorosa do braço do doador, o uso de bolsas de desvio do primeiro fluxo de sangue (que pode conter fragmentos de pele), a triagem clínica de doadores e, principalmente, a triagem microbiológica das bolsas de plaquetas (culturas automatizadas). Tecnologias de inativação de patógenos também têm sido implementadas para aumentar a segurança transfusional.
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