Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021
Quanto às reações hansênicas, assinale a alternativa incorreta.
Reações hansênicas podem ocorrer ANTES, durante ou APÓS o tratamento com PQT.
As reações hansênicas são fenômenos imunológicos que podem ocorrer em qualquer fase da história natural da doença, incluindo antes do início da poliquimioterapia (PQT), durante o tratamento ou mesmo após sua conclusão. A afirmação de que 'nunca antes' é incorreta, pois a doença já está ativa e o sistema imune pode reagir a antígenos bacterianos presentes.
As reações hansênicas representam um desafio significativo no manejo da hanseníase, sendo fenômenos imunológicos agudos que podem ocorrer em qualquer fase da doença: antes, durante ou após a poliquimioterapia (PQT). Elas são classificadas principalmente em Reação Tipo 1 (Reação Reversa) e Reação Tipo 2 (Eritema Nodoso Hansênico), cada uma com fisiopatologia, manifestações clínicas e abordagens terapêuticas distintas. A compreensão de que podem surgir antes do tratamento é vital para o diagnóstico precoce e manejo adequado. A Reação Tipo 1 é uma exacerbação da imunidade celular, resultando em inflamação aguda de lesões cutâneas e nervos periféricos, com risco elevado de neurite e sequelas. Seu tratamento baseia-se na corticoterapia. A Reação Tipo 2, por sua vez, é uma resposta mediada por imunocomplexos, manifestando-se com nódulos eritematosos dolorosos, febre e, por vezes, acometimento ocular, articular e testicular. A talidomida é a droga de escolha para a Reação Tipo 2, devido às suas propriedades imunomoduladoras e anti-inflamatórias. É imperativo que os residentes e profissionais de saúde estejam aptos a identificar e tratar prontamente as reações hansênicas, pois elas são a principal causa de desenvolvimento de incapacidades físicas na hanseníase. A talidomida, embora eficaz, exige rigoroso controle devido aos seus graves efeitos teratogênicos, especialmente em mulheres em idade fértil, o que demanda a utilização de métodos contraceptivos eficazes. O manejo adequado e a vigilância contínua são essenciais para preservar a função neural e a qualidade de vida dos pacientes.
Existem dois tipos principais de reações hansênicas: a Reação Tipo 1 (Reação Reversa), que é uma hipersensibilidade tardia, manifestando-se com inflamação de lesões cutâneas e nervos preexistentes; e a Reação Tipo 2 (Eritema Nodoso Hansênico), uma vasculite imunocomplexa, caracterizada por nódulos cutâneos dolorosos, febre e acometimento sistêmico.
A Reação Tipo 1 é geralmente tratada com corticoterapia (prednisona), com doses e duração ajustadas à gravidade. A Reação Tipo 2 é tratada primariamente com talidomida, que possui potente efeito anti-inflamatório e imunomodulador, podendo ser associada a corticosteroides em casos mais graves ou com acometimento neural.
O rápido diagnóstico e manejo são cruciais porque as reações hansênicas são a principal causa de lesão neural periférica e de aumento das incapacidades físicas na hanseníase. A intervenção precoce com imunossupressores pode prevenir ou minimizar danos permanentes aos nervos e outras estruturas.
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