Reações Adversas Antituberculose: Manejo e Prevenção

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2015

Enunciado

Em relação às reações adversas aos medicamentos antituberculose, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) Epigastralgia e dor abdominal geralmente não requerem suspensão das medicações, apenas reformulação dos horários de administração.
  2. B) O aparecimento de exantema pode estar relacionado à rifampicina, a qual deve ser suspensa e reintroduzida após melhora do quadro.
  3. C) O aparecimento de dor e queimação nas extremidades pode estar relacionado com a isoniazida e/ou o etambutol e requer suspensão das medicações e tratamento com piridoxina.
  4. D) A coloração alaranjada em suor e urina pode estar relacionada ao uso da rifampicina e somente requer orientação/esclarecimento ao paciente.
  5. E) A nefrite intersticial associada ao uso da rifampicina ou da pirazinamida pode cursar com oligúria, exantema e febre.

Pérola Clínica

Neuropatia por isoniazida → tratada com piridoxina, mas NÃO requer suspensão da medicação.

Resumo-Chave

A neuropatia periférica é uma reação adversa comum da isoniazida, que é prevenida e tratada com piridoxina. Geralmente, não é necessário suspender a isoniazida, mas sim ajustar a dose da piridoxina e monitorar o paciente.

Contexto Educacional

O tratamento da tuberculose envolve uma combinação de medicamentos potentes, e as reações adversas são comuns, exigindo monitoramento cuidadoso e manejo adequado. A compreensão dessas reações é fundamental para garantir a adesão ao tratamento e minimizar complicações. A isoniazida é um dos fármacos mais importantes, mas pode causar neuropatia periférica devido à sua interferência com o metabolismo da piridoxina (vitamina B6). Essa neuropatia manifesta-se como dor e queimação nas extremidades. A prevenção e o tratamento são feitos com a suplementação de piridoxina. O etambutol, por sua vez, é associado à neurite óptica, não à neuropatia periférica. A rifampicina é conhecida por causar coloração alaranjada de fluidos corporais, o que é inofensivo, e pode estar associada a exantemas e, mais raramente, nefrite intersticial. A pirazinamida também pode causar hepatotoxicidade e nefrite intersticial. O manejo das reações adversas varia. Epigastralgia leve pode ser resolvida com ajuste de horários. Exantemas leves podem exigir suspensão temporária e reintrodução gradual. No entanto, reações graves como hepatotoxicidade significativa ou nefrite intersticial exigem a suspensão do medicamento. A neuropatia por isoniazida, se não for grave, geralmente não requer a interrupção do tratamento, mas sim o aumento da dose de piridoxina, o que é um ponto crucial para a manutenção da eficácia terapêutica e prevenção de resistência.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais efeitos adversos da isoniazida e como são manejados?

A isoniazida pode causar hepatotoxicidade e neuropatia periférica. A neuropatia é prevenida e tratada com piridoxina (vitamina B6), geralmente sem necessidade de suspensão da isoniazida.

A rifampicina causa coloração alaranjada na urina; isso é perigoso?

Não, a coloração alaranjada na urina, suor e lágrimas é um efeito colateral esperado e inofensivo da rifampicina, que deve ser explicado ao paciente para evitar preocupações.

Quando a suspensão de um medicamento antituberculose é necessária devido a reações adversas?

A suspensão é necessária em casos de hepatotoxicidade grave (elevação de transaminases > 3-5x o LSN com sintomas), reações de hipersensibilidade graves (exantema generalizado, febre), ou nefrite intersticial.

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