USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Em consulta de rotina, a mãe de um lactente de 35 dias de vida encontra-se preocupada com o aparecimento de uma “ferida” no local da aplicação da vacina BCG, há 4 dias. A criança nasceu a termo, de parto normal, pesando 2.980 g, medindo 49 cm de comprimento, sem intercorrências no período perinatal. Na maternidade, recebeu as vacinas BCG e Hepatite B. Está em aleitamento materno exclusivo, ganhando 28 g de peso ao dia. Ao exame clínico, nota-se a presença de uma úlcera de 0,8 cm de diâmetro localizada na inserção inferior do músculo deltoide direito, sem saída de secreção e de gânglio axilar homolateral, indolor, de consistência fibroelástica, móvel, sem sinais flogísticos, medindo 2,5 cm. Sem outras alterações nos demais aparelhos e sistemas.Qual a conduta para este caso?
Reação vacinal BCG normal: úlcera local + linfadenopatia ipsilateral não supurativa → acompanhamento clínico.
A lesão local e a linfadenopatia regional são reações esperadas à vacina BCG, geralmente surgindo entre 2 a 12 semanas após a aplicação. A ausência de sinais flogísticos ou supuração no gânglio indica um curso benigno que não requer intervenção medicamentosa.
A vacina BCG (Bacilo Calmette-Guérin) é crucial na prevenção de formas graves de tuberculose em crianças. É administrada intradermicamente, e a reação local esperada é uma pápula que evolui para úlcera, crosta e, finalmente, uma cicatriz. Este processo é um indicativo de resposta imunológica adequada e ocorre geralmente entre 2 a 12 semanas após a vacinação. Além da lesão local, a linfadenopatia regional (geralmente axilar ou supraclavicular ipsilateral) é uma reação comum e benigna. Caracteriza-se por gânglios móveis, indolores, de consistência fibroelástica e sem sinais flogísticos (calor, rubor, dor). O diagnóstico é clínico, baseado na história vacinal e no exame físico, diferenciando-se de complicações como a adenite supurativa. A conduta para a reação vacinal normal e a linfadenopatia não supurativa é o acompanhamento clínico. Não há necessidade de antibióticos, isoniazida ou punção. A intervenção é reservada para complicações como a adenite supurativa, que pode exigir drenagem ou tratamento específico, ou para reações adversas graves em imunocomprometidos.
Uma reação normal à vacina BCG inclui uma pápula que evolui para úlcera no local da aplicação, geralmente entre 2 a 12 semanas, e pode haver linfadenopatia regional não supurativa.
Preocupe-se se houver supuração persistente, aumento rápido do gânglio com sinais flogísticos, fistulização, ou lesões muito extensas, que podem indicar uma complicação como a adenite supurativa.
A conduta para linfadenopatia axilar pós-BCG sem supuração é o acompanhamento clínico, pois geralmente regride espontaneamente. Intervenções são raras e reservadas para complicações.
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