Febre Pós-Operatória: Reconhecendo a Reação Transfusional

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Paciente feminina, 77 anos, submetida a colectomia parcial devido a neoplasia de cólon. Retorna do centro cirúrgico desperta, eupneica em ar ambiente, estável hemodinamicamente, apresenta acesso venoso periférico calibroso onde está sendo realizada infusão de bolsa de concentrado de hemácias. Abdome cirúrgico, flácido, pouco doloroso próximo à ferida operatória. Durante sua avaliação inicial nota-se uma temperatura axilar de 39°. A causa mais provável para este sintoma é:

Alternativas

  1. A) Atelectasia
  2. B) Reação transfusional
  3. C) Infecção de ferida operatória
  4. D) Peritonite.

Pérola Clínica

Febre imediata pós-op + transfusão de hemácias → Reação transfusional febril não hemolítica.

Resumo-Chave

A paciente apresenta febre alta (39°C) no pós-operatório imediato de uma colectomia, enquanto está recebendo uma transfusão de concentrado de hemácias. Neste cenário, a causa mais provável é uma reação transfusional febril não hemolítica, que é uma das reações transfusionais mais comuns e se manifesta com febre e calafrios durante ou logo após a transfusão.

Contexto Educacional

A febre no pós-operatório é um achado comum e requer uma investigação cuidadosa para determinar sua etiologia. No caso de uma paciente idosa submetida a uma colectomia parcial, que apresenta febre de 39°C no pós-operatório imediato enquanto recebe uma transfusão de concentrado de hemácias, a causa mais provável é uma reação transfusional febril não hemolítica (RTFNH). A RTFNH é a reação transfusional mais comum e ocorre devido à presença de citocinas pirogênicas liberadas por leucócitos residuais no produto sanguíneo transfundido, ou pela reação do receptor a antígenos leucocitários do doador. Os sintomas, como febre e calafrios, geralmente se manifestam durante ou nas primeiras horas após o início da transfusão. É fundamental diferenciar a RTFNH de reações mais graves, como a reação transfusional hemolítica aguda, que pode ser fatal. Outras causas de febre pós-operatória, como atelectasia, infecção de ferida operatória e peritonite, são menos prováveis no pós-operatório *imediato*. A atelectasia pode causar febre nas primeiras 24-48 horas, mas a presença da transfusão em andamento direciona para a RTFNH. Infecções de ferida operatória e peritonite geralmente se manifestam mais tardiamente, a partir do 3º ou 4º dia de pós-operatório. A conduta inicial diante da suspeita de RTFNH é interromper a transfusão e iniciar a investigação e tratamento sintomático.

Perguntas Frequentes

O que é uma reação transfusional febril não hemolítica (RTFNH)?

É uma reação adversa comum à transfusão, caracterizada por um aumento de 1°C ou mais na temperatura corporal durante ou até 4 horas após a transfusão, sem evidência de hemólise, geralmente causada por citocinas liberadas por leucócitos no produto transfundido.

Quais são os sinais e sintomas de uma RTFNH?

Os sintomas incluem febre, calafrios, mal-estar, cefaleia e, ocasionalmente, náuseas e vômitos. É importante excluir outras causas de febre e reações transfusionais mais graves, como a hemolítica.

Qual a conduta inicial diante da suspeita de RTFNH?

A primeira medida é interromper imediatamente a transfusão, manter o acesso venoso com soro fisiológico, notificar o banco de sangue e avaliar o paciente. Geralmente, o tratamento é sintomático com antipiréticos.

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