Reação Transfusional Febril: Diagnóstico e Conduta

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 54 anos, internado por anemia severa secundária a uma hemorragia digestiva alta, recebe uma transfusão de duas unidades de concentrado de hemácias. Cerca de 30 minutos após o início da segunda unidade, ele começa a apresentar febre (38,5°C), calafrios e discreto mal-estar. Na avaliação, seus sinais vitais mostram pressão arterial de 125/80 mmHg, frequência cardíaca de 88 bpm, frequência respiratória de 16 incursões por minuto e saturação de oxigênio de 97% em ar ambiente. O exame físico não revela outras alterações significativas. Diante do quadro apresentado, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta correta no momento.

Alternativas

  1. A) Interromper a transfusão e solicitar coombs direto, bilirrubinas, DHL e haptoglobina.
  2. B) Suspender temporariamente a transfusão e administrar antitérmico.
  3. C) Suspender a transfusão e iniciar antibióticos de amplo espectro imediatamente.
  4. D) Administrar diurético e monitorar os sinais vitais.
  5. E) Suspender a transfusão e administrar adrenalina imediatamente.

Pérola Clínica

Febre + calafrios pós-transfusão → Suspender transfusão e investigar hemólise (Coombs, DHL, haptoglobina).

Resumo-Chave

A febre e calafrios após transfusão são os sintomas mais comuns de uma reação transfusional. É crucial interromper a transfusão imediatamente e iniciar a investigação para descartar reações hemolíticas graves, que podem ser fatais se não identificadas e tratadas rapidamente.

Contexto Educacional

As reações transfusionais são eventos adversos que podem ocorrer durante ou após a transfusão de componentes sanguíneos. É fundamental que o médico esteja apto a reconhecê-las e agir prontamente, pois algumas podem ser fatais. A reação febril não hemolítica é a mais comum, caracterizada por febre e calafrios, mas é crucial descartar reações hemolíticas agudas, que são mais graves e exigem conduta específica. A fisiopatologia das reações febris não hemolíticas envolve a liberação de citocinas pirogênicas por leucócitos do doador ou do receptor. O diagnóstico diferencial inclui reações alérgicas, contaminação bacteriana e, principalmente, reações hemolíticas. A suspeita deve surgir com qualquer alteração clínica durante ou logo após a transfusão. A conduta inicial é sempre interromper a transfusão e manter o acesso venoso. A investigação laboratorial, incluindo Coombs direto, bilirrubinas, DHL e haptoglobina, é essencial para diferenciar entre os tipos de reação e guiar o tratamento adequado. O prognóstico varia conforme a gravidade e o tipo de reação, sendo as hemolíticas as de pior prognóstico se não tratadas.

Perguntas Frequentes

Quais são os primeiros sinais de uma reação transfusional?

Febre, calafrios, mal-estar, urticária, dor lombar e hipotensão são sinais comuns. A suspeita deve ser alta para qualquer alteração clínica durante ou logo após a transfusão.

Qual a conduta inicial em caso de suspeita de reação transfusional?

Interromper imediatamente a transfusão, manter acesso venoso com soro fisiológico e notificar o banco de sangue para iniciar a investigação laboratorial completa.

Quais exames são solicitados na investigação de reação transfusional?

Coombs direto, hemograma, bilirrubinas (total e frações), DHL, haptoglobina, uroanálise e reavaliação da tipagem sanguínea do paciente e da bolsa são essenciais.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo