Manejo da Reação Transfusional Alérgica Leve

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 52 anos está em tratamento de neutropenia febril, em período de aplasia pósquimioterapia para um linfoma de alto grau, já em uso de antibioticoterapia e estável clinicamente. Devido à plaquetometria de 14 mil em previsão de queda, recebe transfusão profilática de 1 unidade de aférese de plaquetas. Apresentou quadro de rash cutâneo e angioedema localizado em região periorbital, sem desconforto respiratório e mantendo estabilidade hemodinâmica. Considerando o caso clínico apresentado, deve-se:

Alternativas

  1. A) Pausar a transfusão e realizar antialérgico. Se melhorar, retornar a transfusão, mas suspendêla em caso de retorno dos sintomas.
  2. B) Não pausar a transfusão e manter apenas observação clínica, visto que não há sinais de anafilaxia.
  3. C) Não pausar a transfusão e realizar medicação anti-histamínica. Caso não haja melhora, suspender permanentemente a transfusão.
  4. D) Pausar e suspender permanentemente a transfusão devido quadro de angioedema, e realizar anti-histamínico associado à epinefrina.

Pérola Clínica

Reação alérgica leve/moderada → Pausar + Anti-histamínico → Reiniciar se houver melhora clínica.

Resumo-Chave

Em reações alérgicas limitadas (pele/angioedema leve) sem sinais de anafilaxia, a transfusão pode ser reiniciada após o controle dos sintomas com medicação.

Contexto Educacional

As reações transfusionais alérgicas ocorrem devido à hipersensibilidade do receptor a proteínas solúveis no plasma do componente transfundido. Elas são classificadas em leves (apenas urticária), moderadas (angioedema ou sintomas sistêmicos leves) e graves (anafilaxia). No caso clínico, a estabilidade hemodinâmica e a ausência de desconforto respiratório permitem a conduta conservadora de pausa e medicação. A conduta de pausar, medicar e reiniciar (se houver melhora) otimiza o uso de hemocomponentes, especialmente em pacientes com necessidade frequente de suporte, como os onco-hematológicos em aplasia. A suspensão definitiva só é mandatória em casos de anafilaxia, TRALI, sobrecarga volêmica (TACO) ou reações hemolíticas agudas.

Perguntas Frequentes

Quando é seguro reiniciar uma transfusão após reação alérgica?

O reinício é seguro quando a reação é exclusivamente cutânea (urticária) ou envolve angioedema localizado, sem sintomas sistêmicos como hipotensão, sibilância ou estridor. Após a pausa e administração de anti-histamínico (como difenidramina), deve-se aguardar a remissão completa ou melhora significativa dos sintomas antes de retomar a infusão em ritmo lento.

Qual a diferença entre reação alérgica e anafilaxia transfusional?

A reação alérgica comum é mediada por IgE contra proteínas plasmáticas do doador, manifestando-se com rash e prurido. A anafilaxia é uma emergência grave que envolve pelo menos dois sistemas (ex: cutâneo + respiratório) ou hipotensão súbita, frequentemente associada à deficiência de IgA no receptor, exigindo interrupção definitiva e epinefrina.

O uso de pré-medicação evita reações alérgicas?

Embora comum na prática clínica, evidências robustas sugerem que a pré-medicação rotineira com anti-histamínicos ou corticoides não previne efetivamente a ocorrência de reações alérgicas febris ou urticariformes em todos os pacientes, devendo ser reservada para aqueles com histórico de reações recorrentes.

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