Hanseníase: Manejo da Reação Tipo 1 (Reversa)

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 40 anos, em tratamento de hanseníase dimorfa com poliquimioterapia multibacilar (PQT MB) há 2 meses, apresenta edema e aumento das lesões de pele, além de aparecimento de lesões ao redor das lesões prévias há 15 dias. Em associação, relata dor intensa na região de fossa cubital direita e piora do formigamento na mão ipsilateral. Não apresenta outras patologias ou alterações ao exame físico. Qual a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Ultrassonografia de nervos e substituição para PQT alternativa.
  2. B) Eletroneuromiografia e suspensão da PQT MB.
  3. C) Talidomida e substituição para PQT alternativa.
  4. D) Corticoterapia e manutenção da PQT MB.

Pérola Clínica

Hanseníase MB + piora lesões/neurite durante PQT → Reação Tipo 1 = Corticoterapia + Manter PQT.

Resumo-Chave

O quadro clínico de edema e aumento das lesões de pele, aparecimento de novas lesões e, principalmente, dor intensa em nervo e piora da parestesia, durante o tratamento da hanseníase multibacilar, é característico de uma Reação Tipo 1 (Reação Reversa). O tratamento de escolha é a corticoterapia, mantendo a poliquimioterapia.

Contexto Educacional

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Durante o curso da doença ou do tratamento com poliquimioterapia (PQT), os pacientes podem desenvolver fenômenos inflamatórios agudos conhecidos como reações hansênicas, que são as principais causas de incapacidades e deformidades. O caso clínico descreve um paciente em tratamento para hanseníase dimorfa (multibacilar) que apresenta piora das lesões de pele (edema, aumento, novas lesões) e, crucialmente, dor intensa em nervo periférico (fossa cubital direita) com piora da parestesia. Este quadro é altamente sugestivo de uma Reação Tipo 1, também conhecida como Reação Reversa. Esta reação é uma resposta imune exacerbada contra antígenos do M. leprae, que pode levar a danos nervosos irreversíveis se não tratada prontamente. A conduta mais adequada para a Reação Tipo 1 é a corticoterapia sistêmica, geralmente com prednisona, em doses que variam conforme a gravidade da reação e o peso do paciente, seguida de desmame lento. É fundamental que a poliquimioterapia multibacilar (PQT MB) seja MANTIDA, pois a reação é um fenômeno imunológico e não indica falha do tratamento antimicrobiano. A suspensão da PQT pode levar à recidiva da doença e ao desenvolvimento de resistência. A ultrassonografia de nervos e eletroneuromiografia podem ser úteis para avaliar o dano neural, mas não são a conduta inicial para a reação aguda. Talidomida é utilizada para Reação Tipo 2, não Tipo 1.

Perguntas Frequentes

Quais são os tipos de reações hansênicas?

As reações hansênicas são fenômenos inflamatórios agudos que podem ocorrer antes, durante ou após o tratamento. Existem dois tipos principais: Reação Tipo 1 (Reação Reversa) e Reação Tipo 2 (Eritema Nodoso Hansênico).

Como diferenciar a Reação Tipo 1 da Reação Tipo 2 na hanseníase?

A Reação Tipo 1 é caracterizada por exacerbação de lesões cutâneas pré-existentes, aparecimento de novas lesões eritematosas e edematosas, e neurite. A Reação Tipo 2 apresenta nódulos subcutâneos eritematosos e dolorosos, febre e sintomas sistêmicos, podendo ter envolvimento articular e ocular.

Qual o tratamento para a neurite na hanseníase?

A neurite na hanseníase, comum nas reações tipo 1, é uma emergência e deve ser tratada com corticoterapia sistêmica (prednisona) em doses elevadas, com desmame gradual, para prevenir danos nervosos permanentes. A poliquimioterapia deve ser mantida.

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