Hanseníase Virchowiana: Manejo da Reação Tipo 2 (ENH)

UDI Hospital - Hospital UDI São Luís (MA) — Prova 2020

Enunciado

Paciente 62 anos, em tratamento para hanseníase virchoviana há 6 meses, comparece referindo aparecimento súbito de nódulos eritemato-dolorosos e disseminados em todo o corpo com febre, calafrios associados a quadro de edema e dor em saco escrotal com hiperemia conjuntival e dor retro-ocular intensa bilateral. Nesse caso, a melhor conduta é:

Alternativas

  1. A) Iniciar corticoterapia e encaminhar ao oftalmologista e urologista.
  2. B) Iniciar talidomida e encaminhar para urologista e oftalmologista.
  3. C) Suspender esquema de tratamento específico para hanseníase e investigar intolerância medicamentosa.
  4. D) Iniciar talidomida e prednisona concomitantemente pois trata-se de eritema nodoso associado à orquite e iridociclite.
  5. E) Iniciar esquema substitutivo imediatamente devido a provável quadro de intolerância à dapsona.

Pérola Clínica

Hanseníase virchowiana + nódulos eritematosos + febre + orquite/iridociclite → Reação Tipo 2 (ENH) → Talidomida + Corticoide.

Resumo-Chave

O quadro clínico descrito (nódulos eritemato-dolorosos, febre, calafrios, orquite, iridociclite) em paciente com hanseníase virchowiana em tratamento é clássico de uma Reação Tipo 2 (Eritema Nodoso Hansênico - ENH), que exige tratamento imediato com talidomida e corticoides.

Contexto Educacional

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Durante o tratamento ou mesmo após sua conclusão, os pacientes podem desenvolver reações hansênicas, que são fenômenos imunológicos agudos que podem causar danos graves e irreversíveis se não forem prontamente identificados e tratados. O quadro clínico descrito (nódulos eritemato-dolorosos disseminados, febre, calafrios, edema e dor escrotal - orquite, hiperemia conjuntival e dor retro-ocular intensa bilateral - iridociclite) é altamente sugestivo de uma Reação Tipo 2, também conhecida como Eritema Nodoso Hansênico (ENH). Esta reação é mais comum em formas multibacilares, como a hanseníase virchowiana, e é mediada por complexos imunes. O tratamento do ENH, especialmente quando grave e com comprometimento sistêmico (como orquite e iridociclite), requer a combinação de talidomida (que é o tratamento de primeira linha para ENH, com potente efeito anti-inflamatório e imunomodulador) e corticoides (como a prednisona), que agem rapidamente para controlar a inflamação. O tratamento específico da hanseníase (politerapia) não deve ser suspenso, pois as reações são uma resposta imunológica à presença do bacilo, e não intolerância medicamentosa ao esquema.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Reação Tipo 2 na hanseníase?

Os principais sintomas da Reação Tipo 2 (Eritema Nodoso Hansênico) incluem nódulos eritemato-dolorosos na pele, febre, calafrios, mal-estar, e comprometimento sistêmico como orquite, iridociclite, artrite e neurite.

Qual o tratamento de escolha para o Eritema Nodoso Hansênico?

O tratamento de escolha para o Eritema Nodoso Hansênico (ENH) é a talidomida, que possui potente efeito anti-inflamatório e imunomodulador. Em casos graves ou com comprometimento sistêmico, a prednisona é frequentemente associada para controle rápido da inflamação.

Como diferenciar as reações tipo 1 e tipo 2 na hanseníase?

A Reação Tipo 1 (Reação Reversa) é uma hipersensibilidade tardia, com lesões cutâneas eritematosas e edematosas, e neurite. A Reação Tipo 2 (Eritema Nodoso Hansênico) é mediada por complexos imunes, caracterizada por nódulos eritemato-dolorosos, febre e comprometimento sistêmico.

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