Hanseníase: Diagnóstico e Manejo da Reação Reversa

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2020

Enunciado

Homem de 35 anos, depois de encerrado o tratamento com esquema PQT-MB (12 doses em até 18 meses) há quatro (4) meses, procura o seu médico de família com queixas de dor súbita nos nervos e inchaço nas mãos e nos pés há 24h. O exame físico evidencia surgimento abrupto de novas lesões de pele, avermelhadas e inchadas, bem como dor à palpação de nervo tibial posterior esquerdo, com redução de sensibilidade em face plantar. Seus sinais vitais, bem como os exames genital e sistêmico, estão normais. Diante do caso apresentado, assinale a alternativa CORRETA sobre qual o diagnóstico mais provável:

Alternativas

  1. A) Reação Reversa.
  2. B) Eritema Nodoso Hansênico.
  3. C) Recidiva.
  4. D) Neurite crônica.
  5. E) Dor neuropática.

Pérola Clínica

Hanseníase pós-PQT + neurite aguda + lesões cutâneas inflamatórias → Reação Reversa (Tipo 1).

Resumo-Chave

A Reação Reversa (Tipo 1) na hanseníase é uma resposta imune de hipersensibilidade tardia que pode ocorrer durante ou após o tratamento, manifestando-se com inflamação aguda de lesões cutâneas pré-existentes ou novas, e neurite aguda, sendo uma emergência neurológica.

Contexto Educacional

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Durante o curso da doença ou mesmo após o término da poliquimioterapia (PQT), os pacientes podem desenvolver reações imunológicas agudas, que são as principais causas de dano neural e incapacidades. A Reação Reversa (Tipo 1) é uma das reações mais comuns e clinicamente importantes. Ela representa uma exacerbação da imunidade celular do paciente contra o bacilo, resultando em um aumento da inflamação nas lesões cutâneas e, de forma crítica, nos nervos periféricos (neurite). Os sintomas incluem o surgimento abrupto de lesões cutâneas avermelhadas, inchadas e dolorosas, e dor súbita nos nervos com perda de sensibilidade ou força. O diagnóstico precoce da Reação Reversa é fundamental, pois a neurite aguda pode levar a danos neurais irreversíveis se não tratada prontamente. O tratamento de escolha é a corticoterapia sistêmica, com prednisona, para controlar a inflamação e prevenir sequelas. É essencial que os residentes saibam diferenciar as reações hansênicas e iniciar o manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Reação Reversa na hanseníase?

A Reação Reversa manifesta-se com inflamação aguda de lesões cutâneas (tornando-as avermelhadas, inchadas, dolorosas), surgimento de novas lesões inflamatórias e, crucialmente, neurite aguda com dor e perda de função nervosa.

Qual o tratamento para a Reação Reversa na hanseníase?

O tratamento principal para a Reação Reversa é a corticoterapia sistêmica, geralmente com prednisona, em doses que variam conforme a gravidade e a presença de neurite.

Como diferenciar Reação Reversa de Eritema Nodoso Hansênico?

A Reação Reversa (Tipo 1) é uma hipersensibilidade celular, com lesões cutâneas inflamatórias e neurite aguda. O Eritema Nodoso Hansênico (Tipo 2) é uma reação de imunocomplexos, com nódulos subcutâneos dolorosos, febre e sintomas sistêmicos.

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