UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2023
Mulher, 65 anos, foi diagnosticada com hanseníase virchowiana, há 6 meses, e está em uso de rifampicina, clofazimina e dapsona. No momento, apresenta placas infiltradas eritematosas em formato anular em áreas de lesões antigas associadas à neurite. Refere que esses sinais e sintomas se iniciaram há 3 dias. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Placas eritematosas anulares + neurite em hanseníase virchowiana em tratamento → Reação Reversa (Tipo 1).
A reação reversa (Tipo 1) na hanseníase é uma reação de hipersensibilidade tardia que ocorre durante ou após o tratamento, caracterizada por exacerbação das lesões cutâneas (eritema, edema, infiltração) e, crucialmente, neurite. É mais comum em formas borderline e virchowiana.
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Durante o curso da doença ou, mais frequentemente, durante o tratamento politerápico (MPT), os pacientes podem desenvolver reações hansênicas, que são episódios inflamatórios agudos resultantes de alterações na resposta imune do hospedeiro ao bacilo. Essas reações são cruciais para o prognóstico, pois podem levar a danos nervosos irreversíveis e deformidades. A reação reversa, ou reação tipo 1, é uma reação de hipersensibilidade tardia mediada por células T, que ocorre quando há uma melhora na imunidade do paciente contra o bacilo. Clinicamente, manifesta-se por exacerbação das lesões cutâneas preexistentes (tornando-as mais eritematosas, edemaciadas e infiltradas), surgimento de novas lesões e, de forma mais grave, neurite aguda, que é a inflamação dos nervos periféricos. É mais comum nas formas borderline da doença, mas pode ocorrer na virchowiana, como no caso apresentado. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado das reações hansênicas são fundamentais para prevenir sequelas. A reação reversa, especialmente quando acompanhada de neurite, requer tratamento imediato com corticosteroides (prednisona) para controlar a inflamação e proteger a função nervosa. Para residentes, é essencial reconhecer os sinais e sintomas das reações hansênicas e diferenciá-las para instituir a terapia correta, garantindo a preservação da função e a qualidade de vida do paciente.
A reação reversa (Tipo 1) é caracterizada por exacerbação inflamatória das lesões cutâneas preexistentes (eritema, edema, infiltração), surgimento de novas lesões e, principalmente, neurite, que pode levar a danos nervosos permanentes.
A reação reversa é mais comum nas formas borderline da hanseníase (borderline-tuberculóide, borderline-borderline, borderline-virchowiana), mas também pode ocorrer na forma virchowiana, como no caso descrito.
A reação reversa (Tipo 1) envolve uma resposta imune celular exacerbada, manifestando-se como inflamação das lesões existentes e neurite. O ENH (Tipo 2) é uma vasculite imunocomplexa, caracterizada por nódulos subcutâneos dolorosos, febre e, por vezes, acometimento sistêmico, sendo mais comum na forma virchowiana.
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