SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023
Paciente, 32 anos, portador de anemia falciforme. Encontra-se no 3º dia de internação hospitalar, em enfermaria, por crise álgica, sob uso de morfina, cetoprofeno e dipirona, para controle do quadro. Está hemodinamicamente estável, com bom controle álgico, diurese presente, afebril, eupneico, sem suporte de oxigênio. Apresenta hemograma do dia com Hb 5,9g/dL Ht 17%, sendo indicada transfusão de concentrado de hemácias desleucocitado e fenotipado. Após 12 minutos do início da administração do hemocomponente, pela enfermeira da unidade, o paciente passa a apresentar febre (T: 38,3ºC), calafrios, dor no local do acesso periférico, dor em flancos e epistaxe. Você, como médico plantonista da unidade, é imediatamente chamado para prestar assistência ao paciente. Ao chegar, você solicita imediata interrupção da transfusão, prescreve sintomáticos, notifica a suspeita de reação transfusional e solicita coleta de amostras para análise da reação pelo serviço de hemoterapia. Além das ações citadas, qual a melhor conduta a ser realizada?
Suspeita de Reação Hemolítica Aguda: Interromper transfusão, estabilizar, notificar, coletar amostras (hemólise, função renal, coagulação) e hidratar vigorosamente.
A reação transfusional aguda, especialmente a hemolítica, é uma emergência médica. Após a interrupção imediata da transfusão e estabilização do paciente, é crucial investigar a causa. Isso inclui devolver o hemocomponente para análise, coletar amostras do paciente para provas de hemólise, função renal e coagulograma, e iniciar hidratação vigorosa para prevenir injúria renal aguda.
As reações transfusionais são eventos adversos que podem ocorrer durante ou após a administração de hemocomponentes. Embora raras, algumas reações, como a hemolítica aguda, são emergências médicas que exigem reconhecimento e manejo imediatos para prevenir morbidade e mortalidade significativas. Pacientes com anemia falciforme, devido à sua história de múltiplas transfusões, têm um risco aumentado de aloimunização e reações transfusionais. A reação hemolítica transfusional aguda (RHTA) é geralmente causada pela incompatibilidade ABO, resultando na destruição intravascular dos eritrócitos transfundidos pelos anticorpos do receptor. Os sintomas clássicos incluem febre, calafrios, dor em flancos, hipotensão, sangramento e oligúria. A conduta inicial é interromper a transfusão imediatamente, manter o acesso venoso, estabilizar o paciente e notificar o banco de sangue. O hemocomponente e amostras de sangue do paciente (pré e pós-transfusão) devem ser enviados para investigação laboratorial. Além das ações iniciais, o manejo da RHTA inclui suporte hemodinâmico, tratamento da febre e dor, e, crucialmente, a prevenção da injúria renal aguda. Isso é feito através de hidratação vigorosa com cristaloides para manter a diurese e, se necessário, o uso de diuréticos. O monitoramento da função renal e do coagulograma é essencial, pois a RHTA pode levar à coagulação intravascular disseminada (CIVD). A identificação da causa da reação pelo serviço de hemoterapia é vital para prevenir futuros eventos.
Os sinais e sintomas incluem febre, calafrios, dor no local do acesso, dor lombar ou em flancos, hipotensão, taquicardia, dispneia, náuseas, vômitos e, em casos graves, sangramento anormal (devido a CIVD) e oligúria/anúria (por IRA). O início é geralmente rápido, nos primeiros minutos da transfusão.
A conduta inicial é interromper imediatamente a transfusão, manter o acesso venoso com soro fisiológico, avaliar as vias aéreas, respiração e circulação do paciente, e notificar o serviço de hemoterapia. O hemocomponente e o equipo devem ser devolvidos para investigação.
A hidratação vigorosa é crucial para manter o fluxo urinário e prevenir a injúria renal aguda (IRA), uma complicação grave da hemólise intravascular. A hemoglobina livre liberada pode precipitar nos túbulos renais, causando necrose tubular aguda. A diurese adequada ajuda a 'lavar' esses precipitados.
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