Reação Hansênica Tipo 2: Diagnóstico e Tratamento com Talidomida

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020

Enunciado

Homem de 48 anos iniciou, há 20 dias, uso de poliquimioterapia (PQT) multibacilar, incluindo dapsona, clofazimina e rifampicina, para tratamento de hanseníase forma dimorfa virchowiana. Há 2 dias, passou a apresentar febre baixa, astenia, dor ocular bilateral, mialgia e lesões cutâneas dolorosas. Nega perda de força muscular. Ao exame, apresentava-se febril, normocorado, anictérico, acianótico e exame dermatológico revelava nódulos eritematosos em membros. Diante do provável diagnóstico do quadro mais recente apresentado pelo paciente, qual a conduta mais recomendada neste momento?

Alternativas

  1. A) Manter PQT e iniciar talidomida oral.
  2. B) Manter PQT e iniciar prednisona 1mg/kg.
  3. C) Suspender dapsona e substituir por ofloxacina.
  4. D) Suspender dapsona e iniciar azul de metileno venoso.

Pérola Clínica

Hanseníase em PQT + nódulos eritematosos dolorosos, febre, dor ocular → Reação tipo 2 (ENH) → Manter PQT + Talidomida.

Resumo-Chave

O quadro clínico (febre, astenia, dor ocular, mialgia, nódulos eritematosos dolorosos) em paciente com hanseníase multibacilar em PQT é altamente sugestivo de Reação Hansênica Tipo 2 (Eritema Nodoso Hansênico - ENH). Nesses casos, a PQT deve ser mantida e o tratamento da reação é feito com talidomida, que é a droga de escolha para ENH.

Contexto Educacional

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo *Mycobacterium leprae*, que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Durante o curso da doença ou durante o tratamento com poliquimioterapia (PQT), os pacientes podem desenvolver reações hansênicas, que são fenômenos imunológicos agudos que podem causar danos neurológicos permanentes se não forem prontamente tratados. A Reação Hansênica Tipo 2, ou Eritema Nodoso Hansênico (ENH), é mais comum em pacientes com formas multibacilares, como a dimorfa virchowiana. O ENH é caracterizado por uma resposta imune mediada por complexos antígeno-anticorpo, resultando em inflamação sistêmica. Os sintomas incluem nódulos cutâneos eritematosos e dolorosos, febre, mal-estar, mialgia, artralgia e, em casos mais graves, inflamação de órgãos como olhos (irite), testículos (orquite) e rins (nefrite). O diagnóstico é clínico, baseado na presença desses sintomas em um paciente com hanseníase. A conduta para o ENH é manter a poliquimioterapia, pois a reação não significa falha do tratamento antibacteriano, mas sim uma resposta do sistema imune aos bacilos em degeneração. O tratamento de escolha para o ENH é a talidomida oral, que possui potente efeito anti-inflamatório e imunomodulador. A prednisona é uma alternativa para casos graves ou quando a talidomida é contraindicada, especialmente na gravidez, devido ao seu potencial teratogênico. O manejo adequado das reações é fundamental para prevenir sequelas e garantir a adesão ao tratamento da hanseníase.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Reação Hansênica Tipo 2 (Eritema Nodoso Hansênico)?

A Reação Hansênica Tipo 2, ou Eritema Nodoso Hansênico (ENH), manifesta-se com nódulos eritematosos, dolorosos e inflamatórios na pele, acompanhados de sintomas sistêmicos como febre, mal-estar, astenia, mialgia, artralgia e, em casos graves, irite, orquite e nefrite.

Qual a conduta inicial para um paciente com hanseníase em PQT que desenvolve Reação Tipo 2?

A conduta inicial é manter a poliquimioterapia (PQT) para hanseníase, pois a reação é um fenômeno imunológico e não indica falha do tratamento antibacteriano. O tratamento específico para a Reação Tipo 2 é a talidomida oral, que é a droga de escolha para o Eritema Nodoso Hansênico.

Quando a prednisona é utilizada no tratamento das reações hansênicas?

A prednisona é utilizada para o tratamento da Reação Hansênica Tipo 1 (Reação Reversa) e para casos graves de Reação Tipo 2 que não respondem à talidomida, ou quando a talidomida é contraindicada (ex: gravidez). A dose e duração dependem da gravidade da reação.

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