Reação Hansênica Tipo 2: Diagnóstico e Manifestações

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012

Enunciado

Uma mulher de 37 anos de idade vem à consulta com queixa de febre (temperatura axilar = 38°C), náuseas, vômitos, mialgia, dor nos braços, pernas e nas articulações dos pés e mãos há cerca de dez dias. Refere já ter tido esse quadro há cerca de um mês, tendo obtido melhora com o uso de analgésicos e anti-inflamatórios. Atualmente, refere piora do quadro clínico. Ao exame físico, evidencia-se que a paciente se encontra em regular estado geral, descorada, anictérica, com dificuldade à deambulação – tem sinais clínicos de polineurite, artralgia e artrite de pequenas e médias articulações. Apresenta nódulos cutâneos de vários tamanhos e estádios evolutivos diferentes, róseo-eritemato-edematosos, violáceos, acastanhados, isolados e confluentes, manchas acastanhadas, pústulas, vesículas hemorrágicas e nódulos necrótico-ulcerativos, em especial nas coxas e pernas. Apresenta, ainda, cicatrizes de lesões anteriores e hepato-esplenomegalia dolorosa. Qual o diagnóstico mais provável nesse caso?

Alternativas

  1. A) Farmacodermia.
  2. B) Lúpus eritematoso sistêmico.
  3. C) Leishmaniose tegumentar americana.
  4. D) Eritema nodoso por doença reumática.
  5. E) Reação por imunocomplexos da hanseníase.

Pérola Clínica

Febre + nódulos dolorosos + polineurite na hanseníase = Reação Tipo 2 (Eritema Nodoso Hansênico).

Resumo-Chave

A Reação Tipo 2 é uma hipersensibilidade tipo III (imunocomplexos) que ocorre em pacientes multibacilares, apresentando sintomas sistêmicos e lesões cutâneas polimorfas.

Contexto Educacional

As reações hansênicas são episódios agudos de inflamação que interrompem o curso crônico da hanseníase. A Reação Tipo 2 (ENH) é uma emergência médica potencial devido ao risco de danos neurais permanentes e falência de órgãos. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na tríade de sintomas sistêmicos, nódulos cutâneos e dor neural. Este caso clínico ilustra a gravidade da forma sistêmica, com hepatoesplenomegalia e lesões necrótico-ulcerativas, reforçando a necessidade de diferenciar as reações imunológicas de recidivas da doença ou farmacodermias. O entendimento da imunopatologia é crucial para a escolha terapêutica correta entre talidomida e corticoides.

Perguntas Frequentes

Qual a fisiopatologia da Reação Hansênica Tipo 2?

A Reação Hansênica Tipo 2, ou Eritema Nodoso Hansênico (ENH), é uma reação de hipersensibilidade do tipo III de Gell e Coombs, mediada pela deposição de imunocomplexos circulantes nos tecidos. Diferente da Reação Tipo 1, que é celular (Tipo IV), a Tipo 2 ocorre predominantemente em pacientes com alta carga bacilar (formas multibacilares como Virchowiana e Dimorfa-Virchowiana). A deposição desses complexos ativa o sistema complemento e recruta neutrófilos, levando a vasculites e inflamação sistêmica, o que explica a febre, mialgia e o polimorfismo das lesões cutâneas, que podem variar de nódulos eritematosos a lesões necróticas.

Quais são as principais manifestações clínicas do ENH?

As manifestações são sistêmicas e cutâneas. Clinicamente, o paciente apresenta febre, mal-estar, mialgia, artralgia e, frequentemente, polineurite aguda. As lesões cutâneas clássicas são nódulos eritematosos, dolorosos e súbitos, mas podem ocorrer formas graves com vesículas, bolhas e ulcerações (Eritema Nodoso Necrotizante). Além disso, o comprometimento de órgãos internos é comum, manifestando-se como linfadenopatia, hepatoesplenomegalia dolorosa, orquiepididimite e iridociclite. O quadro costuma ser recorrente ou crônico, exigindo manejo prolongado.

Qual o tratamento de escolha para a Reação Tipo 2?

O fármaco de escolha para o controle do Eritema Nodoso Hansênico é a Talidomida (100 a 400 mg/dia), devido ao seu potente efeito inibitório sobre o TNF-alfa. No entanto, devido à sua teratogenicidade, seu uso em mulheres em idade fértil é rigorosamente controlado. Em casos de contraindicação à talidomida, ou quando há necessidade de tratar neurites e iridociclites associadas, utilizam-se os corticosteroides (como a Prednisona). A Clofazimina também pode ser utilizada em doses elevadas para auxiliar no desmame do corticoide em quadros crônicos. É fundamental manter a poliquimioterapia (PQT) se o paciente ainda estiver em tratamento para a hanseníase.

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