Reação Hansênica Tipo 2: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Um homem com 65 anos refere, em consulta, apresentar múltiplas lesões dolorosas por todo o corpo e febre intermitente há 2 semanas. Ao exame físico, verificam-se: temperatura axilar de 38 °C e frequência cardíaca de 89 bpm, nódulos cutâneos múltiplos, dolorosos, firmes, eritematosos, medindo cerca de 2 x 2 cm cada um, que estão distribuídos bilateralmente em braços, antebraços, coxas e dorso; rarefação dos pelos nos supercílios, edema e dor nas articulações do pulso e do tornozelo. Realizado exame anatomopatológico de uma lesão nodular, o resultado evidenciou granulomas dérmicos e vasculite leucocitoclástica. Considerando-se esse quadro, qual é a hipótese diagnóstica mais provável?

Alternativas

  1. A) Reação hansênica tipo 2.
  2. B) Granulomatose de Wegner.
  3. C) Leishmaniose tegumentar americana.
  4. D) Manifestação cutânea de retocolite ulcerativa. 

Pérola Clínica

Nódulos cutâneos dolorosos + febre + artralgia + granulomas/vasculite = Reação Hansênica Tipo 2 (ENH).

Resumo-Chave

A Reação Hansênica Tipo 2 (Eritema Nodoso Hansênico) é uma complicação imunológica da hanseníase, caracterizada por nódulos cutâneos dolorosos, febre, artralgia e, histologicamente, por vasculite leucocitoclástica e granulomas dérmicos. A rarefação de supercílios (madarose) é um sinal clássico de hanseníase.

Contexto Educacional

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, trato respiratório superior, olhos e testículos. As reações hansênicas são episódios agudos de exacerbação imunológica que podem ocorrer antes, durante ou após o tratamento, sendo responsáveis por grande parte da morbidade da doença. A Reação Hansênica Tipo 2, também conhecida como Eritema Nodoso Hansênico (ENH), é uma das mais comuns e graves. O ENH é uma reação de hipersensibilidade mediada por imunocomplexos (tipo III), mais frequente em pacientes com hanseníase multibacilar (virchowiana ou borderline virchowiana). Clinicamente, caracteriza-se pelo surgimento súbito de múltiplos nódulos cutâneos dolorosos, eritematosos, que podem ulcerar, acompanhados de sintomas sistêmicos como febre, mal-estar, artralgia, mialgia e neurite. A madarose (rarefação de supercílios) é um sinal clássico da hanseníase que pode estar presente. O diagnóstico do ENH é clínico, mas a biópsia das lesões cutâneas pode confirmar a presença de granulomas dérmicos e vasculite leucocitoclástica, com infiltrado inflamatório rico em neutrófilos e macrófagos contendo bacilos. O tratamento de escolha para o ENH é a talidomida, que possui potente efeito imunomodulador e anti-inflamatório, além de corticosteroides em casos graves ou quando a talidomida é contraindicada. É fundamental manter o tratamento específico para a hanseníase durante o manejo da reação.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Reação Hansênica Tipo 2?

A Reação Hansênica Tipo 2, ou Eritema Nodoso Hansênico (ENH), manifesta-se com múltiplos nódulos cutâneos dolorosos, eritematosos, febre, artralgia, neurite e, em casos graves, orquite ou iridociclite.

Como o exame anatomopatológico auxilia no diagnóstico da Reação Hansênica Tipo 2?

O exame anatomopatológico de uma lesão nodular na Reação Hansênica Tipo 2 tipicamente revela granulomas dérmicos e vasculite leucocitoclástica, com presença de bacilos de Hansen em macrófagos.

Qual a diferença entre Reação Hansênica Tipo 1 e Tipo 2?

A Reação Tipo 1 é uma reação de hipersensibilidade tardia, associada a alterações na imunidade celular, manifestando-se com inflamação de lesões pré-existentes e neurite. A Reação Tipo 2 é uma reação de hipersensibilidade mediada por imunocomplexos, com lesões nodulares agudas e sintomas sistêmicos.

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