Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024
Mulher de 27 anos é avaliada em consulta de retorno. O tratamento para hanseníase tuberculoide dimorfa (boderline) foi iniciado há 6 meses com dapsona e rifampicina. A paciente então evolui com queixa de agravamento das lesões cutâneas, agora mais eritematosas, com piora da dor neurítica com fraqueza na mão esquerda. Ela está afebril e o hemograma completo e o exame de urina estão normais. Nesse momento, qual a intervenção terapêutica mais adequada?
Hanseníase dimorfa em tratamento com piora de lesões e dor neurítica → Reação Reversa (Tipo 1) = Manter PQT e adicionar Prednisona.
A piora das lesões cutâneas e da dor neurítica em paciente com hanseníase em tratamento sugere uma reação hansênica tipo 1 (reação reversa). Nesses casos, o tratamento da hanseníase deve ser mantido, e a reação deve ser tratada com corticosteroides, como a prednisona.
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Durante o tratamento ou mesmo após sua conclusão, os pacientes podem desenvolver reações hansênicas, que são fenômenos imunológicos agudos que podem causar danos graves aos nervos e tecidos. A identificação e o manejo corretos dessas reações são cruciais para prevenir sequelas. Existem dois tipos principais de reações hansênicas: Tipo 1 (reação reversa) e Tipo 2 (eritema nodoso hansênico). A reação tipo 1, como no caso da questão, é uma hipersensibilidade tardia que ocorre principalmente em pacientes com formas tuberculoide e dimorfa. Ela se manifesta com inflamação aguda das lesões cutâneas e, mais perigosamente, dos nervos periféricos, causando dor neurítica e perda de função. O tratamento da reação hansênica tipo 1 envolve a manutenção da poliquimioterapia (PQT) para a hanseníase e a introdução de corticosteroides, sendo a prednisona o medicamento de escolha. A dose e a duração da prednisona são ajustadas de acordo com a gravidade da reação e a resposta clínica. Em casos de neurite grave ou lesões ulceradas, doses mais altas podem ser necessárias. O acompanhamento é fundamental para monitorar a resposta e ajustar a dose do corticoide.
A reação tipo 1, ou reação reversa, manifesta-se por eritema e edema das lesões cutâneas preexistentes, aparecimento de novas lesões, e piora da dor e função nervosa (neurite), podendo levar a fraqueza muscular.
O tratamento principal é com corticosteroides, sendo a prednisona oral a droga de escolha. A dose e duração dependem da gravidade da reação, mas o tratamento da hanseníase deve ser mantido.
A reação hansênica é um fenômeno imunológico, enquanto a falha terapêutica é a persistência ou progressão da doença devido à ineficácia dos medicamentos. A reação geralmente cursa com inflamação aguda e neurite, sem evidência de bacilos viáveis em grande quantidade.
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