Reação Hansênica Tipo 1: Diagnóstico e Manejo com Prednisona

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 52 anos, em tratamento para hanseníase (poliquimioterapia multibacilar) há 2 meses. Buscou atendimento queixando se de que há 5 dias houve piora aguda das lesões cutâneas pré existentes (foto), perda de sensibilidade em 4° e 5° quirodáctilos da mão direita e dor em choque irradiando do cotovelo até a mão direita. Qual a conduta terapêutica imediata mais adequada para este caso?

Alternativas

  1. A) Iniciar talidomida via oral.
  2. B) Suspender a poliquimioterapia multibacilar.
  3. C) Iniciar prednisona via oral.
  4. D) Instaurar poliquimioterapia substitutiva.

Pérola Clínica

Piora aguda de lesões cutâneas e neurite em hanseníase multibacilar = Reação Tipo 1 → Prednisona oral.

Resumo-Chave

O quadro clínico de piora aguda das lesões cutâneas e, principalmente, a presença de neurite (perda de sensibilidade e dor em choque) em paciente com hanseníase em tratamento, sugere uma Reação Tipo 1 (Reação Reversa). A conduta imediata mais adequada é iniciar prednisona oral para controlar a inflamação e prevenir danos neurais permanentes.

Contexto Educacional

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica que, mesmo durante o tratamento com poliquimioterapia (PQT), pode apresentar fenômenos imunológicos agudos conhecidos como reações hansênicas. Essas reações são as principais causas de incapacidades e deformidades. A Reação Tipo 1, ou Reação Reversa, é uma hipersensibilidade tardia que ocorre em pacientes com imunidade celular parcialmente restaurada, levando a uma inflamação exacerbada nas lesões cutâneas e, crucialmente, nos nervos periféricos. O quadro clínico da Reação Tipo 1 é caracterizado por eritema, edema e exacerbação das lesões cutâneas pré-existentes, podendo surgir novas lesões. O sinal mais preocupante é a neurite aguda, manifestada por dor intensa nos trajetos nervosos, perda de sensibilidade e fraqueza muscular, como descrito no caso. A fisiopatologia envolve uma resposta imune mediada por células T contra antígenos do Mycobacterium leprae, resultando em inflamação granulomatosa. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico. A conduta terapêutica imediata para a Reação Tipo 1, especialmente com neurite, é o início de corticosteroides sistêmicos, sendo a prednisona oral a droga de escolha. A dose e a duração do tratamento variam, mas geralmente iniciam-se com doses altas e são gradualmente reduzidas. É fundamental manter a poliquimioterapia antibacilar, pois as reações não indicam falha do tratamento. O manejo adequado e precoce das reações é vital para prevenir sequelas neurológicas permanentes e melhorar o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar a Reação Hansênica Tipo 1 da Reação Tipo 2?

A Reação Tipo 1 (Reversa) é caracterizada por piora das lesões cutâneas pré-existentes e, frequentemente, neurite aguda. A Reação Tipo 2 (Eritema Nodoso Hansênico) manifesta-se com nódulos subcutâneos eritematosos e dolorosos, febre e mal-estar, geralmente sem piora das lesões antigas ou neurite aguda proeminente.

Qual a importância da prednisona no tratamento da Reação Hansênica Tipo 1?

A prednisona é o tratamento de escolha para a Reação Hansênica Tipo 1, especialmente na presença de neurite. Ela atua como um potente anti-inflamatório, controlando a resposta imunológica exacerbada e prevenindo danos neurais irreversíveis, que são a principal causa de incapacidades na hanseníase.

A poliquimioterapia deve ser suspensa durante uma reação hansênica?

Não, a poliquimioterapia (PQT) para hanseníase não deve ser suspensa durante uma reação hansênica. As reações são fenômenos imunológicos e não indicam falha do tratamento antimicrobiano. A PQT deve ser mantida para erradicar o bacilo, enquanto a reação é tratada com corticosteroides ou talidomida, conforme o tipo.

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