SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Menina, 2 anos de idade, tem diarreia e vômitos há 1 dia. Foi avaliada e medicada no serviço de urgência. Foi orientada dieta e hidratação com água e líquidos variados. Há 1 hora está estranha, chorando o tempo todo, mal olha os brinquedos e ficou em posição com o corpo curvado para trás. Ficou com a mãe todo o tempo, grande parte do tempo, no seu colo. Ao exame apresenta hipertonia, espasmos musculares, posição de opistótono, mímica facial pobre e parkinsonismo. A hipótese diagnóstica é de intoxicação, possivelmente pela medicação recebida no atendimento realizado horas antes. A medicação mais provável, de acordo com o quadro descrito, é:
Criança com vômito + distonia/opistótono após antiemético = Intoxicação por Metoclopramida.
A metoclopramida bloqueia receptores D2 centrais, podendo causar reações extrapiramidais agudas (distonias) em crianças, simulando quadros neurológicos graves.
A metoclopramida é um antiemético procinético amplamente utilizado, mas seu uso em pediatria é restrito devido ao perfil de segurança neurológica. O quadro clínico descrito — uma criança de 2 anos com diarreia e vômitos que desenvolve hipertonia e opistótono após atendimento médico — é clássico para reação extrapiramidal medicamentosa. É fundamental diferenciar essa condição de emergências infecciosas (meningite) ou neurológicas (convulsão). Atualmente, a ondansetrona (antagonista 5-HT3) é preferida na pediatria para o manejo de vômitos na gastroenterite aguda, pois apresenta eficácia superior e não possui o risco de efeitos extrapiramidais associados aos bloqueadores dopaminérgicos.
A metoclopramida é um antagonista dos receptores dopaminérgicos D2. Ao cruzar a barreira hematoencefálica, ela bloqueia esses receptores na via nigroestriatal, responsável pelo controle motor. Em crianças, devido à imaturidade do sistema nervoso central e maior sensibilidade receptora, esse bloqueio pode resultar em um desequilíbrio entre dopamina e acetilcolina, desencadeando espasmos musculares involuntários e distonias.
Os sinais incluem distonias agudas (contrações musculares sustentadas), opistótono (corpo curvado para trás), crise oculogírica (olhar fixo para cima), trismo, protrusão da língua, mímica facial pobre e, por vezes, sintomas parkinsonianos (tremor e rigidez). O quadro costuma ser súbito e assustador para os pais, mas geralmente não há alteração do nível de consciência.
O tratamento baseia-se na suspensão imediata da droga e no uso de agentes anticolinérgicos para restaurar o equilíbrio neuroquímico. O biperideno (intramuscular ou intravenoso) é a droga de escolha. Alternativamente, anti-histamínicos com propriedades anticolinérgicas, como a difenidramina, podem ser utilizados. Os sintomas costumam regredir rapidamente após a administração do antídoto.
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