IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Menino, de 5 meses de idade, é levado em consulta de rotina em Unidade Básica de Saúde. Os pais relatam que há alguns dias perceberam uma ferida nova no local da aplicação da vacina BCG. Ao exame físico, você identifica uma úlcera de 2cm de diâmetro, profunda. O restante do exame físico está normal. Qual é a conduta recomendada neste caso?
Úlcera >1 cm no local da BCG que não cicatriza após observação inicial → Tratar com Isoniazida até a regressão.
Reações locais à vacina BCG são comuns, mas úlceras grandes (>1cm) e persistentes são eventos adversos que exigem atenção. A conduta inicial é observar, mas na ausência de cicatrização, a monoterapia com isoniazida é o tratamento de escolha para controlar a replicação do bacilo vacinal sem a necessidade de esquemas para tuberculose.
A vacina BCG (Bacilo Calmette-Guérin), composta por uma cepa atenuada de Mycobacterium bovis, é fundamental na prevenção de formas graves de tuberculose na infância. Sua aplicação intradérmica desencadeia uma resposta imunológica local que, na maioria dos casos, evolui de forma previsível e benigna. No entanto, eventos adversos pós-vacinação (EAPV) podem ocorrer. Os EAPV da BCG são classificados em locais, regionais ou disseminados. A úlcera profunda com mais de 1 cm de diâmetro, como a descrita, é considerada um evento adverso local grave (BCGite). A conduta inicial preconizada pelo Ministério da Saúde é notificar o caso, investigar possíveis imunodeficiências subjacentes e acompanhar a evolução da lesão. A maioria das lesões locais tende a cicatrizar espontaneamente. Contudo, nos casos em que não há tendência à cicatrização espontânea, o tratamento está indicado para controlar a multiplicação do bacilo vacinal. A droga de escolha é a isoniazida (INH) em monoterapia, na dose de 10 mg/kg/dia (máximo de 300 mg/dia), administrada até a regressão completa da lesão. O uso de esquemas poliquimioterápicos, como os utilizados para tuberculose doença, não está indicado para reações locais, sendo reservado para a rara e grave doença disseminada por BCG (BCGose).
A evolução normal inclui o surgimento de um nódulo avermelhado no local da aplicação em 2-4 semanas, que evolui para uma pústula, seguida por uma úlcera de até 1 cm que cicatriza em 6 a 12 semanas, deixando uma cicatriz característica. Uma úlcera maior ou que não cicatriza é considerada um evento adverso.
Para linfadenite não supurativa, a conduta é expectante. Se houver supuração com flutuação (abscesso frio), a punção aspirativa com agulha calibrosa é indicada para alívio. O tratamento com isoniazida pode ser considerado em casos extensos ou que não regridem.
Deve-se suspeitar de imunodeficiência primária, especialmente defeitos na via do interferon-gama/IL-12, em casos de reações graves como doença disseminada por BCG (BCGose) ou lesões locais extensas e persistentes. A investigação é mandatória nesses cenários antes de iniciar o tratamento.
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