UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Lactente de 50 dias de vida é levado à UBS, porque vem apresentando, há 2 dias, uma lesão eritematosa indolor, que tem aumentado de tamanho, em membro superior direito (braço). Ao exame, a criança apresenta um abcesso frio, que tem aumentado de tamanho, com 2,5 cm de diâmetro, com um ponto de flutuação, na região localizada nas bordas (ao redor) do local de aplicação da vacina BCG (id). Nesse caso, a conduta adequada é
Abscesso frio ou linfadenite supurativa pós-BCG em lactente → Isoniazida até resolução.
Abscessos frios ou linfadenites supurativas no local da vacina BCG são reações adversas comuns, geralmente benignas, que ocorrem semanas a meses após a vacinação. A conduta adequada é o tratamento com isoniazida, que deve ser mantido até a completa resolução da lesão.
A vacina BCG (Bacillus Calmette-Guérin) é amplamente utilizada para prevenir formas graves de tuberculose, especialmente em crianças. Embora seja uma vacina segura, pode causar reações adversas locais e regionais. Entre elas, o abscesso frio e a linfadenite supurativa são as mais comuns, geralmente manifestando-se semanas a meses após a aplicação. O abscesso frio é uma lesão flutuante, indolor, que se desenvolve no local da injeção ou nos linfonodos regionais (axilares ou supraclaviculares), sem os sinais clássicos de inflamação aguda. O diagnóstico é clínico, baseado na história de vacinação recente e nas características da lesão. É importante diferenciar essas reações de infecções bacterianas comuns, pois a etiologia é a própria cepa atenuada do Mycobacterium bovis. A conduta para o abscesso frio ou linfadenite supurativa não complicada é conservadora, com tratamento medicamentoso. A isoniazida é o tratamento de escolha, administrada por via oral até a completa resolução da lesão, o que pode levar vários meses. A drenagem cirúrgica é geralmente evitada, pois pode levar à formação de fístulas e não acelera significativamente a cura. Em casos de linfadenite supurativa, a aspiração com agulha fina pode ser considerada para alívio sintomático, mas a terapia medicamentosa é o pilar do tratamento.
As reações adversas mais comuns incluem úlcera no local da aplicação, cicatriz queloideana e linfadenite regional. Reações mais raras, como abscesso frio, osteíte e BCG disseminada, também podem ocorrer.
O abscesso frio pós-BCG é geralmente indolor, de crescimento lento e sem sinais inflamatórios agudos (calor, rubor intensos), diferentemente de um abscesso bacteriano comum. A história de vacinação recente é crucial.
A isoniazida é um tuberculostático que age inibindo a síntese do ácido micólico na parede celular de micobactérias, incluindo o Mycobacterium bovis atenuado da vacina BCG, controlando a proliferação e a lesão.
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