UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2021
Homem, 79 anos de idade, independente para as atividades básicas e instrumentais de vida diária comparece à consulta médica. Antecedentes pessoais: hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia, osteoartrite em joelhos e baixa acuidade visual corrigida por lentes. Faz uso contínuo de losartana 50 mg 2 vezes ao dia, hidroclorotiazida 25 mg 1 vez ao dia, ácido acetilsalicílico 100 mg ao dia, metformina XR 500 mg 1 vez ao dia e sinvastatina 20 mg à noite. Examefísico: IMC = 19,5 kg/m2 , aumento do volume e crepitações grosseiras em ambososjoelhos. Por qual das condições relatadas o paciente teria risco maior de apresentar reação adversa a medicamento?
IMC diminuído em idosos aumenta risco de RAM devido a alterações na distribuição e metabolismo de fármacos.
Um IMC diminuído em idosos pode indicar desnutrição ou sarcopenia, impactando a distribuição (menor volume de distribuição para fármacos lipofílicos, menor ligação a proteínas plasmáticas) e o metabolismo de medicamentos, aumentando a concentração sérica e o risco de reações adversas.
O risco de reações adversas a medicamentos (RAM) em idosos é multifatorial e significativamente maior do que em populações mais jovens. Embora a idade avançada, a polifarmácia (uso de 5 ou mais medicamentos) e a presença de múltiplas comorbidades sejam fatores de risco bem estabelecidos, o estado nutricional e a composição corporal desempenham um papel crucial, muitas vezes subestimado. Um Índice de Massa Corporal (IMC) diminuído (abaixo de 20-22 kg/m²) em idosos é um forte preditor de fragilidade, desnutrição e sarcopenia. Essas condições alteram a farmacocinética dos fármacos: a redução da massa muscular e gordura corporal modifica o volume de distribuição, enquanto a desnutrição pode levar à hipoalbuminemia, aumentando a fração livre de fármacos altamente ligados a proteínas plasmáticas e, consequentemente, sua toxicidade. Além disso, a função renal e hepática, que já declinam com a idade, podem ser ainda mais comprometidas em estados de desnutrição. Portanto, ao avaliar o risco de RAM em um idoso, é essencial considerar não apenas a quantidade de medicamentos e comorbidades, mas também o estado nutricional e a fragilidade. A otimização da medicação, a revisão periódica (deprescribing) e a atenção ao estado nutricional são pilares para a segurança farmacológica na população idosa, visando minimizar o risco de eventos adversos e melhorar a qualidade de vida.
Os principais fatores incluem idade avançada, polifarmácia (uso de múltiplos medicamentos), múltiplas comorbidades, IMC diminuído (desnutrição/sarcopenia), disfunção renal ou hepática e uso de medicamentos potencialmente inapropriados.
Um IMC baixo pode indicar menor massa muscular e gordura corporal, alterando o volume de distribuição de fármacos. A desnutrição pode reduzir a albumina sérica, aumentando a fração livre de fármacos ligados a proteínas e, consequentemente, o risco de toxicidade.
A polifarmácia aumenta o risco de interações medicamentosas, reações adversas, não adesão ao tratamento, síndromes geriátricas (quedas, declínio cognitivo) e hospitalizações.
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