UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2018
O médico da família é informado pela agente comunitária de saúde que um paciente da sua área acaba de chegar de uma internação hospitalar. Um senhor de 65 anos de idade, internado por cinco dias devido a uma crise hipertensiva (SIC) e que no momento, se apresenta com sequelas motoras (hemiplegia à esquerda) e problemas na fala. Na visita domiciliar, o médico e a enfermeira encontram-no em condições precárias de moradia, avaliam seu estado clínico geral, verificam sua tensão arterial e revisam suas medicações. O paciente apresenta-se emagrecido com perda completa da capacidade motora do hemicarpo esquerdo, desvio de comissura labial e disartria. Hipertenso prévio, obeso e sedentário, não vinha fazendo uso corretamente das medicações e estava fumando um maço de cigarros ao dia. O plano terapêutico da equipe foi o de voltar em uma semana para revisar o uso da medicação, orientar sobre o controle do sal na comida e a baixa probabilidade de recuperação da movimentação do lado afetado e da articulação da fala. Em relação ao caso apresentado assinale a afirmativa INCORRETA:
Reabilitação pós-AVE é essencial para recuperação funcional e fortalecimento muscular, mesmo com sequelas neurológicas.
A reabilitação precoce e contínua é um pilar fundamental no manejo do paciente pós-AVE, visando minimizar sequelas, otimizar a recuperação funcional e melhorar a qualidade de vida, contrariando a ideia de que não há benefício.
O Acidente Vascular Encefálico (AVE), popularmente conhecido como AVC, é uma das principais causas de mortalidade e incapacidade em adultos no Brasil e no mundo. Caracteriza-se por uma interrupção súbita do fluxo sanguíneo cerebral (isquêmico) ou extravasamento de sangue (hemorrágico), resultando em déficits neurológicos. A compreensão de seus fatores de risco, como hipertensão, diabetes, tabagismo e obesidade, é fundamental para a prevenção primária e secundária, sendo um tema recorrente em provas de residência. A fisiopatologia do AVE envolve danos neuronais devido à isquemia ou hemorragia, levando a sequelas motoras, sensitivas, de fala e cognitivas. O diagnóstico é clínico, complementado por neuroimagem (TC ou RM). A suspeita deve ser alta em pacientes com início súbito de déficits neurológicos focais. A avaliação da disfagia é crucial para prevenir aspiração, e a indicação de sonda de alimentação deve ser considerada em casos de risco elevado. O tratamento agudo visa reperfusão (no AVE isquêmico) e controle de complicações. Contudo, o manejo pós-AVE é igualmente vital, com foco na reabilitação multidisciplinar (fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional) para maximizar a recuperação funcional. O prognóstico é variável, mas a reabilitação precoce e intensiva melhora significativamente os resultados. A prevenção secundária, com controle rigoroso dos fatores de risco e uso de antiagregantes plaquetários, é essencial para reduzir o risco de recorrência, que pode chegar a 8% em um ano.
Os principais fatores de risco modificáveis incluem hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia, tabagismo, obesidade, sedentarismo e fibrilação atrial. O controle rigoroso desses fatores é crucial para a prevenção primária e secundária do AVE.
A reabilitação deve ser iniciada o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras 24-48 horas após a estabilização do paciente. Seus objetivos são minimizar sequelas, otimizar a recuperação funcional, prevenir complicações secundárias e reintegrar o paciente à sociedade.
A sonda de alimentação é indicada para pacientes com disfagia grave pós-AVE, que apresentam risco de aspiração pulmonar, desnutrição ou desidratação, manifestada por fraqueza facial, disartria significativa, engasgos excessivos, sialismo ou depósitos de comida na boca.
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