UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2020
O médico de família é informado pela agente comunitária de saúde que um paciente da sua área acaba de chegar de uma internação hospitalar. Um senhor de 65 anos de idade, internado por cinco dias devido a uma crise hipertensiva (SIC) e que no momento, se apresenta com sequelas motoras (hemiplegia à esquerda) e problemas na fala. Na visita domiciliar, o médico e a enfermeira encontram-no em condições precárias de moradia, avaliam seu estado clínico geral, verificam sua tensão arterial e revisam suas medicações. O paciente apresenta-se emagrecido com perda completa da capacidade motora do hemicorpo esquerdo, desvio da comissura labial e disartria. Hipertenso prévio, obeso e sedentário, não vinha fazendo uso corretamente das medicações e estava fumando um maço de cigarros ao dia. O plano terapêutico da equipe foi o de voltar em uma semana para revisar o uso da medicação, orientar sobre o controle do sal na comida e a baixa probabilidade de recuperação da movimentação do lado afetado e da articulação da fala. Em relação ao caso apresentado assinale a afirmativa INCORRETA:
Reabilitação pós-AVE é fundamental para recuperação funcional e fortalecimento muscular, não deve ser negligenciada.
A reabilitação precoce e contínua é um pilar essencial no manejo do paciente pós-AVE, visando minimizar sequelas, otimizar a recuperação funcional e melhorar a qualidade de vida, contrariando a ideia de que não há benefício. Ignorar a reabilitação é um erro grave.
O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é uma das principais causas de mortalidade e incapacidade permanente em adultos, com alta prevalência de sequelas neurológicas como hemiplegia e disartria. A abordagem inicial e o manejo dos fatores de risco são cruciais, mas a fase pós-aguda exige um plano de reabilitação abrangente para otimizar a recuperação funcional e a qualidade de vida do paciente. A fisiopatologia do AVE envolve a interrupção do fluxo sanguíneo cerebral, levando à morte neuronal e déficits neurológicos. O diagnóstico é clínico e por imagem, e a suspeita deve ser alta em pacientes com déficits neurológicos agudos. A prevenção secundária, com controle rigoroso da hipertensão, diabetes, dislipidemia, cessação do tabagismo e uso de antiagregantes plaquetários, é vital para reduzir o risco de recorrência. O tratamento do AVE na fase aguda foca na reperfusão e suporte vital. No entanto, o prognóstico a longo prazo é fortemente influenciado pela reabilitação multidisciplinar, que inclui fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e suporte psicológico. A reabilitação deve ser individualizada e iniciada precocemente, pois a plasticidade cerebral permite alguma recuperação funcional, mesmo em casos de sequelas motoras e de fala significativas. A orientação sobre o uso de medicações, dieta e atividade física são componentes essenciais do cuidado contínuo.
A reabilitação pós-AVE visa restaurar a função motora, cognitiva e da fala, melhorar a independência nas atividades diárias e prevenir complicações secundárias, como contraturas e úlceras de pressão. Ela é fundamental para a qualidade de vida do paciente.
A reabilitação deve ser iniciada o mais precocemente possível, muitas vezes ainda na fase aguda da internação hospitalar, assim que o paciente estiver clinicamente estável. A intervenção precoce melhora significativamente os resultados a longo prazo.
Os principais fatores de risco a serem monitorados e controlados incluem hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia, tabagismo, obesidade, sedentarismo e fibrilação atrial. O controle rigoroso desses fatores é crucial para prevenir a recorrência do AVE.
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