Rastreio de Streptococcus agalactiae (GBS) na Gestação: Guia

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Uma gestante de 28 anos, secundigesta (parto vaginal anterior sem intercorrências), está em sua 36ª semana de uma gestação de risco habitual. Durante a consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde, a paciente encontra-se assintomática, com exames laboratoriais de primeiro e segundo trimestres normais e esquema vacinal atualizado. Ao realizar o exame físico, o médico observa altura uterina de 34 cm, batimentos cardiofetais de 144 bpm e movimentação fetal ativa referida pela mãe. Diante da idade gestacional atual e seguindo os protocolos de assistência pré-natal, qual é a conduta diagnóstica mais adequada a ser realizada neste momento?

Alternativas

  1. A) Solicitar ultrassonografia obstétrica com dopplervelocimetria para avaliação da maturidade placentária.
  2. B) Realizar a coleta de swab vaginal e anorretal para pesquisa de Streptococcus agalactiae (GBS).
  3. C) Solicitar o teste de tolerância oral à glicose (TOTG 75g) para rastreio de diabetes mellitus gestacional.
  4. D) Iniciar antibioticoterapia profilática com Penicilina G Cristalina para prevenção de sepse neonatal.

Pérola Clínica

Rastreio de GBS → Swab vaginal + anorretal entre 35 e 37 semanas de gestação.

Resumo-Chave

O rastreio universal para GBS visa identificar portadoras para profilaxia intraparto, reduzindo drasticamente a incidência de sepse neonatal precoce por transmissão vertical.

Contexto Educacional

O Streptococcus agalactiae (GBS) é um colonizador comum do trato gastrointestinal e geniturinário. A colonização materna no momento do parto é o principal fator de risco para a doença neonatal de início precoce, que pode se manifestar como pneumonia, sepse ou meningite nos primeiros dias de vida. O rastreio universal por cultura (swab vaginal e anorretal) entre 35-37 semanas permite a identificação de gestantes que se beneficiarão da antibioticoprofilaxia intraparto. A estratégia de rastreio baseada em cultura demonstrou ser superior à estratégia baseada apenas em fatores de risco clínicos. A profilaxia, geralmente realizada com Penicilina G Cristalina ou Ampicilina, visa reduzir a carga bacteriana no canal de parto durante o nascimento, protegendo o neonato da transmissão vertical. É um pilar fundamental da assistência pré-natal moderna para a redução da mortalidade neonatal.

Perguntas Frequentes

Quando realizar o rastreio de GBS?

O rastreio universal para Streptococcus agalactiae (GBS) deve ser realizado entre a 35ª e a 37ª semana de gestação em todas as gestantes de risco habitual ou alto risco. Este período é ideal porque a validade da cultura é de aproximadamente cinco semanas, cobrindo o período provável do parto a termo. Existem exceções onde o rastreio não é necessário por já haver indicação formal de profilaxia intraparto: gestantes com urocultura positiva para GBS na gestação atual (independente da contagem de colônias) ou aquelas que tiveram um filho anterior com doença neonatal invasiva por GBS. Nestes casos, a profilaxia é mandatória no momento do parto, independentemente de novos resultados de swab.

Como é feita a coleta do material?

A coleta do material biológico para a cultura de GBS é um procedimento simples que não requer o uso de espéculo vaginal. Deve-se utilizar um swab (ou dois, dependendo do laboratório) para coletar amostras do terço inferior da vagina (introito vaginal) e, em seguida, do reto (através do esfíncter anal). A coleta anorretal é fundamental, pois o reto é o reservatório primário do GBS, e a sensibilidade do teste aumenta significativamente quando ambas as áreas são amostradas. O material deve ser colocado em meio de transporte adequado (como o meio Stuart ou Amies) e enviado ao laboratório para processamento em meios de cultura seletivos para garantir o crescimento bacteriano.

Quem tem indicação de profilaxia intraparto direta?

A antibioticoprofilaxia intraparto para prevenção de sepse neonatal precoce está indicada em quatro situações principais: 1) Gestantes com cultura de swab vaginal/anorretal positiva para GBS realizada nas últimas 5 semanas; 2) Gestantes com urocultura positiva para GBS em qualquer momento da gestação atual; 3) Gestantes que tiveram um filho anterior com sepse neonatal por GBS; 4) Gestantes com status de GBS desconhecido no momento do parto que apresentem fatores de risco como parto prematuro (<37 semanas), ruptura prolongada de membranas (≥18 horas) ou febre intraparto (≥38°C). O esquema de escolha é a Penicilina G Cristalina endovenosa, administrada pelo menos 4 horas antes do nascimento para eficácia máxima.

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