SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024
Uma paciente de 85 anos, cujas únicas comorbidades são diabetes e hipertensão arterial leves, procura o médico para consulta de rotina. Qual das medidas abaixo seria adequada para o caso?
Em idosos > 80 anos, rastreio de osteoporose é crucial; metas glicêmicas/pressóricas são mais flexíveis.
Em pacientes idosos, especialmente acima de 80 anos, as recomendações de rastreio e as metas de tratamento para doenças crônicas devem ser individualizadas, considerando a expectativa de vida, comorbidades e fragilidade. O rastreio de osteoporose com densitometria óssea continua sendo relevante para prevenir fraturas, que têm um impacto devastador na qualidade de vida e mortalidade. Por outro lado, metas muito agressivas para HbA1c e pressão arterial podem trazer mais riscos (hipoglicemia, hipotensão) do que benefícios.
A abordagem do paciente idoso, especialmente aqueles com mais de 80 anos, difere significativamente da população adulta mais jovem. A geriatria enfatiza a individualização do cuidado, considerando a fragilidade, as comorbidades, a polifarmácia e a expectativa de vida. O objetivo principal é manter a funcionalidade e a qualidade de vida, prevenindo eventos adversos que possam levar à dependência. No que tange ao rastreio de câncer, as diretrizes geralmente limitam a idade para a maioria dos exames (como colonoscopia e mamografia) devido à diminuição dos benefícios e ao aumento dos riscos de complicações em pacientes muito idosos. Para doenças crônicas como diabetes e hipertensão, as metas de tratamento são mais flexíveis. Metas glicêmicas e pressóricas muito rigorosas podem expor o idoso a riscos de hipoglicemia e hipotensão ortostática, respectivamente, com consequências graves. Por outro lado, o rastreio e manejo da osteoporose permanecem cruciais em idades avançadas. As fraturas de fragilidade são eventos devastadores para o idoso, levando a hospitalizações, perda de autonomia e aumento da mortalidade. A densitometria óssea, portanto, continua sendo uma ferramenta valiosa para identificar pacientes em risco e guiar intervenções para a prevenção de fraturas. O residente deve dominar a arte de equilibrar os benefícios e riscos das intervenções em geriatria, priorizando o bem-estar e a funcionalidade do paciente.
Para idosos frágeis ou com múltiplas comorbidades e expectativa de vida limitada, as metas de HbA1c são mais flexíveis, geralmente entre 7,5% e 8,5%, para evitar hipoglicemia, que é mais perigosa nessa população. Metas abaixo de 6,5% são muito agressivas.
O rastreio de câncer colorretal e de mama geralmente é recomendado até os 75 anos para a população geral. Acima dessa idade, a decisão deve ser individualizada, considerando o estado funcional do paciente, comorbidades e expectativa de vida, pois os riscos podem superar os benefícios.
A densitometria óssea continua sendo importante em idosos acima de 80 anos para rastrear osteoporose e avaliar o risco de fraturas. Fraturas de fragilidade nessa faixa etária estão associadas a alta morbidade, mortalidade e perda de independência, tornando a prevenção e o tratamento da osteoporose uma prioridade.
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